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(Janeiro 2008)
SANTO SUDARIO (SABES O QUE É ?) A Autenticidade do LENÇOL SANTO que se venera em Turim (Itália) está sobejamente comprovado por todos os estudiosos que se dedicam a suste-la, tem sido um meio das mais ardentes controversas com pessoas de elevada cultura. O Santo Sudário é hoje a mais preciosa relíquia da Paixão, pois serviu de mortalha ao Corpo de Cristo durante as horas que permaneceu no sepulcro. Ai temos graficamente desenhada toda a verdade histórica da Paixão de Cristo. As impressões as manchas, os vestígios que ela revela na fotografia são também autênticos pois a objectiva da câmara fotográfica não se engana. Através da figura sobre-humana do corpo e do rosto impresso no SANTO SUDÁRIO, colocamos em destaque a divindade daquele a quem adora a nossa fé como redenção do mundo. O que no LENÇOL SANTO se observa, é a figura de um homem que morreu de morte violenta. E não é de estranhar que perante este delito, a Medicina questione: Quem ?, Quê ?, Onde ?, Com que meios ?, Porquê ?, E de que maneira ?, Quando ? Para resolver todas estas interrogações se destina este livro com os estudos do DR BARBET, pessoa autorizadíssima, que levou muitos anos trabalhando neste sentido, tendo grandes provas documentais e experimentais, de estudos, sobre a Paixão de Jesus Cristo desde o ponto de vista anatómico-patológico e médico-legal que se faz reviver quase como evidência plástica. O DR BARBET (cirurgião), que agora na verdade é um grande filho da Igreja, um homem de fé, da ciência e de piedade, com sua investigação profunda, precisa, metódica e aténta, nos conduz de um modo claro e incontestado a explicar os estudos à face da ciência, com os ensinamentos da Fé... (BÍBLIA). Observando o negativo fotográfico do SANTO SUDÁRIO, de Turim, vemos uma realidade arrepiante dos tormentos de Jesus Cristo. Diante deles medita, medita um pouco, leitor amigo. Eu te digo, como homem, como crente e como médico que aquele que não sinta uma sensação indefinível de uma grande emoção dos supremos instantes, bem pode assegurar-se que seu entendimento não esta para pensar, nem sua alma para querer, nem seu coração para sentir. Quero apresentar-te esta verdade, amigo leitor, pois estou cada a vez mais interessado em estudar e divulgar o conhecimento desta preciosíssima Relíquia. Poder invencível da verdade, quando esta se apresenta a tal como é ! É esta verdade consoladora e bendita que o Lençol Santo te revela com suas manchas indeléveis e que são magistralmente analisadas por um médico e cirurgião eminente como o Dr. BARBET. Através da leitura destas páginas conhecerás a Paixão de Cristo em toda a sua grandiosa magnitude. Vem conhece-lo. Conhece-lo a ELE e amá-lo... E depois de o haveres conhecido, jamais quererás ser tu daqueles que não o amaram Prof. Dr. Leopoldo Lopez (Valência) CATÉDRÁTICO DE MEDICINA LEGAL COMPROVACÕES CIENTÍFICAS OS SOFRIMENTOS PRELIMINARES Neste livro proponho-me estudar todas as chagas de JESUS Depois de experiências que realizei anos atrás e no ciclo de conferências na Sociedade Médica de Paris, dos Santos Lucas, Cosme e Damião, o qual voluntariamente me limitei a examinar as cinco chagas das mãos, pés e costas. Tratava-se essencialmente de localizar estas chagas e deduzir de que modo se realizou a crucificação. Era portanto um trabalho especificamente anatómico, que só podia fazer-se por vias de experiências em corpos humanos. Teria que aproximar-me o mais possível do corpo vivo. Ao reaver agora aquelas explicações - muito difundida a alguns anos - e antes de a desenrolar, para que o estudo das chagas de Jesus seja tão completo como desejo, parece-me necessário começar pelos maus tratos que preliminarmente sofreu antes da crucificação. Estes tormentos (pelo menos parte deles), sofridos durante o processo da noite, no pretório, e no carregamento da cruz, tem sido objecto de um fervoroso trabalho de meu amigo Judica, do qual me servirei muitas vezes, quando haja algum detalhe para mim discutível. Acrescentarei algumas notas pessoais sobre a flagelação e a coroação de espinhos. Apontarei para que este exame tenha o mesmo espírito objectivo de que nunca me separei, nos meus estudos precedentes. Mas estes estudos são mais consolidados, quando encontro (como sucedeu), numerosos testemunhos da veracidade sem uma falha, que cada vez mais me permite dar crédito aos testemunhos Bíblicos (sobre o Santo Sudário). Mantendo-me sempre do princípio ao fim, numa prudente dúvida cartesiana, que se vai dando progressivamente mais crédito ao documento que se analisa. Ao terminar este estudo, quando constatéi que todas as imagens e ainda aquelas que à primeira vista parecem estranhas e contraditórias à iconografia tradicional, estão conforme a verdade experimental, e deste conjunto de provas parciais vem a equivaler uma prova absoluta. O cálculo da probabilidade nos ensina que uma possibilidade infinitesimal de erro vale uma certidão. Este axioma acabou por persuadir-me, anatomicamente falando, da autenticidade do Santo Sudário. Um falsário, num lugar ou noutro, seria denunciado por algum descuido. E jamais teria trabalhado com tanta despreocupação contra todas as tradições artísticas. a) GENERALIDADES Como disse, e muito bem Judica, os traumatismos produzem na pele lesões diversas, cujas manchas sobre o Lençol Santo, diferem notavelmente, segundo a natureza da profundidade delas. Há que eliminar antes de tudo as contusões propriamente ditas que não lesionam a pele; produzem equimoses (arranhões), hematomas (coágulos de sangue) debaixo da pele e lesões viscerais profundas. Nenhumas destas lesões pode deixar traços no Lençol Santo, a não ser que chegue uma deformação a superfície, que modifique a sua forma, como veremos no nariz. Para que o Sudários nos mostre alguma outra coisa faz falta que tenha tido desgarramento e solução de continuidade da pele, quer dizer, uma chaga sangrenta As irritações cutâneas ocasionadas pelos golpes produzem, por sua acumulação, pequenas flictas que se rompem, derramando sobre toda a superfície do corpo sua exudação serohemágica. Isto não deixa mancha sobre o linho, mas este exudado podia ter contribuído na formação de manchas corporais melhores que a área do suor que nos fala Vignon. Neste como noutros estudos um problema todavia muito obscuro. As escoriações arrancam numa certa superfície toda a epiderme, deixando à vista as papilas da derme que sangram, e destruindo mais ou menos o coiro. É o que veremos nas feridas da flagelação e nas escoriações do corpo, especialmente do rosto. As feridas contusas rompem a continuidade da pele em toda a sua espessura e apresentam bordos contusos e cortados de forma irregular. Produzem-se sobretudo quando a pele descansa sobre um plano ósseo resistente b) TORMENTOS DA NOITE E DO PRETORIO Relê com aténção o que relatam os quatro Evangelhos. Analisemos agora o Lençol Santo e as manchas destes tormentos. Por todo o rosto se encontram escoriações, mas especialmente no lado direito, o qual está ademais, deformado como em baixo das rosaduras ensanguentadas com hematomas. Os dois arcos superciliares apresentam essa classe de feridas contusas que conhecemos bem, pois caracterizam-se por produzir-se de dentro para fora, causadas por um soco ou um golpe de bastão que, ao chocar violentamente com o arco ósseo, faz com que este rasgue a pele de dentro para fora. Mas a lesão mais evidente é a que forma uma ampla escoriação triangular na região suborbitaria direita, com base de dois centímetros, cuja ponta se dirige através da parte superior interna para unir-se a outra zona descorada do nariz, entre o terço médio e o terço superior. A este nível aparece o nariz deformado pela fractura do cartilagíneo dorsal cerca de seu ponto de inserção sobre o osso do nariz, o qual, esta intacto. O conjunto destas lesões parece ter sido produzido, como opina JUDICA, por um bastão que teria de 4 a 5 centímetros de diâmetro, manejado vigorosamente por um agressor que se encontrava situado a direita de Jesus. A palavra Rapisma do texto grego significa precisamente golpe de bastão. Se vêm também outras escoriações na face esquerda, na ponta do nariz e no lábio inferior c) FLAGELAÇÃO O instrumento deste suplício é o Flagrum romano, ( Ver Figura) cujas correias levam alguma distância da sua extremidade e duas bolas de chumbo ou um huesecillo, um astragalo de cordeiro. As manchas encontram-se em profundidade (Ver Figuras) no Lençol Santo, repartidas por todo o corpo, desde os ombros até ao final das pernas, e a maior parte estão na parte posterior, prova de que Jesus estava sujeito com o rosto junto à coluna (Ver Figura ) e com as mãos atadas ao alto, porque não se encontram traços bem visíveis nos antebraços, que receberam os mesmos golpes como na parte posterior, e que estão atados mais baixos. Se encontram aliás, muitos sinais de golpes no peito. Tenhamos presente que estão somente marcados os golpes que produzem uma escoriação ou uma ferida contusa. O que não provocaram mais que equimoses, não deixaram manchas no Sudário. Contei um total de cem manchas, talvez cento e vinte. Isto supõe, que havia no Flagrum duas correias e cerca de sessenta golpes, sem contar os que não deixaram sinal. (Ver Figuras) Todas as chagas têm a mesma forma, de uma pequena roda de três centímetros Os dois círculos representam as bolas de chumbo, e a linha intermediária é a mancha do corrente. Aparecem chagas de dois em dois e paralelas, o que nos faz supor duas correias no Flagrum. Estão claramente orientadas em forma de abanico, tendo como centro a mão de um dos verdugos (soldados). São oblíquas na parte alta do tórax, horizontais nos rins e oblíquas nos membros inferiores. Neste nível se vê, na parte anterior, largas estrias oblíquas em forma de roda, como as chagas posteriores, que não podem ter sido produzidas senão pelas extremidades das correias. Depois de ter sido golpeado com suas bolas de chumbo, rodearam o borde externo das pernas e agrediram com suas pontas a parte anterior. Jesus estava completamente nu. As mesmas feridas em forma de manubrio aparecem em toda a região pélvica, o qual, pois, não estava coberta pelo Subligaculum, tendo a mesma profundidade que o resto do corpo. Por último, os verdugos deviam ser dois. Pode-se quase assegurar que não eram da mesma altura, pois a direcção oblíqua dos golpes não é igual dos dois lados. Os pintores contentam-se quanto muito com umas ligeiras rozaduras informes. Haverá alguem que pudesse imaginar e realizar todos estes detalhes minuciosos ? d) COROAÇÃO DE ESPINHOS Os artistas acostumaram-se desde os primeiros tempos a rodear a cabeça de Jesus com uma coroa circular de espinhos entrelaçados Na pintura bizantina não aparecia nunca a coroa; por excepção a vemos nos primitivos italianos. Pietro Lorenzetti e Giotto a omitem também. Mas a partir do século XV em todos os paises se incluiu a coroa de espinhos em forma circular e persistiu até à nossa época. Porque foi adoptada e fielmente conservada esta forma de coroa ? Sem dúvida por razões de estética; ou também por ignorância. Pintores e escultores interpretaram à sua maneira os textos Evangélicos e não se preocuparam minimamente com a arqueologia. (eles não tem culpa). Lucas nos fala da coroação. Marcos escreve: O cineron uma coroa de espinhos que acabaram de entrançar. Isto não indica a forma. Matéus e João são mais precisos: Fazendo uma coroa entrelaçada de espinhos ( e a colocaram sobre sua cabeça ). João diz: tè kephalè, mas com epethèkan que vem a significar o mesmo. Vicente de Lerins (Sermo em Parasceve) escreverá mais tarde: Puseram sobre a sua cabeça uma coroa de espinhos, que era em forma de casco, e que por todos os lados tocara e cobria a cabeça. E o mesmo homem afirma que a coroa causou setenta feridas. O pileus era, nos Romanos, uma espécie de casco semioval de feltro que envolvia a cabeça, e se usava especialmente no trabalho. Era aliás, sinal de liberdade; dai a expressão: conceder a um escravo o casquete, que significava faze-lo livre. Stª. Brigida, em suas revelações, afirma também que a coroa cobria toda a cabeça de Jesus O que acabamos de dizer corrobora as claras insinuações de Matéus e João: A coroa era uma espécie de casco formado por ramas espinhosas entrelaçadas, e não em forma de arco. Este casco teria que segurar-se na cabeça por meio de alguma ligadura. Admite-se geralmente que os espinhos pertenciam a um arbusto espinhoso corrente na Judeia: o ZIZYPHUS SPINA CHRISTI, espécie de azufaifo. (É possível que existisse reserva de ramos deste arbusto no pretório para aquecer a corte romana). Seus espinhos são largos e agudos. O couro cabeludo sangra muitíssimo e muito facilmente, e como o casco foi colocado a golpes de bastão, as feridas deviam verter muito sangue. A Nossa Senhora de Paris tinha uma coroa espinhos. O rei S. Luís a removeu em 1238, em Veneza, onde a havia deixado o imperador Constantinopla Balduino II, como prenda de um préstimo, e o filho construir para ela uma Santa Capela. Esta coroa não tem espinhos: é só um entrançado de juncos. O feito tem fácil explicação: Os soldados, depois de colocar sobre a cabeça o casco de espinhos, o sujeitaram oprimindo a nuca com este entrançado. Assim se compreende que antigos autores, entre eles Gregorio de Tours, digam que a coroa estava cheia de juncos marinhos (muito perfurantes !) Semelhante coroa deveu, por conseguinte, ferir o crânio em toda a sua superfície e à frente. Fixemo-nos agora no Lençol Santo. Não é perceptível na parte superior do crânio, coberto provavelmente pela típica venda circular que mantinha a boca cerrada. Na imagem dorsal se vê, na parte superior do crânio, vários fios de sangue que procedem cada um de uma ferida de espinhos e seguem trajectórias irregulares. Todas param ao nível de uma linha um pouco côncava no alto, que evidentemente assinala o lugar do capacete de juncos que oprimem a nuca. Mais abaixo, volta a sair outra série de regos de sangue e que parecem perder-se entre as madeixas do cabelo. Aonde há mais sangue acumulado é na parte de trás. Isto não tem nada de estranho, pois que todo o tempo que Jesus esteve na cruz, a coroa devia apoiar-se nessa parte e tocar na madeira a cada movimento da cabeça, aprofundando cada vez mais os espinhos no couro cabeludo. Na imagem frontal os traços sanguíneos (Ver Figura) são mais discretos, mas muito mais claros. Existem sobre a parte alta do crânio e delas flui em largo rego de sangue que cai sobre cada um dos espessos bucos que emaranham o rosto. Do alto e da frente saiem outras quatro ou cinco que baixam através da cara. Uma delas particularmente chama a aténção: é tal o seu realismo e veracidade que nunca vi nenhum pintor imaginá-lo ou realizar coisa igual. Começa por rasgão, muito alto, ao limite da cabeceira; depois descendo o sangue mais da parte interna a do arco da sobrancelha esquerda, por um trajecto sinuoso, um pouco oblíquo abaixo e para fora; logo se encharca progressivamente, com a mesma exactidão como acontece com uma ferida, um derrame de sangue que encontra obstáculos. Não há que esquecer que não vemos aqui mais que a parte do sangue que se coagulou pouco a pouco sobre a pele. O rego de sangue flui lento e contínuo; e sabendo que a coagulação requer uns minutos para produzir-se, somente uma parte se coagula perto da ferida. Quanto mais flui e mais se aloja na ferida, mais grande é a quantidade de sangue recolhida neste nível, que chega a tempo de coagular-se. Deste modo os coágulos se acumulam uns sobre os outros, em capas sucessivas. A massa do coágulo é pois, tanto mais ampla e espessa quanto mais abaixo se olha; isto e devido ao sangue ter ai encontrado obstáculos. Há que notar também, que o sangue não baixou verticalmente, no derrame rectilíneo. Este erro não é quase nunca evitado pelos artistas; e quando o trajecto é irregular em seus quadros, o é por mero capricho, sem que se possa explicar por nenhum obstáculo nem por outra causa natural. Na imagem do Sudário o derrame de sangue está um pouco na direita e na esquerda, e é muito lógico que assim suceda: ou seja, que o sangue siga momentaneamente uma ruga da frente , ou seja melhor dizendo que uma VERCÔNTEA espinhosa caida obliquamente sobre a frente obrigue o sangue a seguir por um momento sua direcção inclinada. Mais na parte da frente o mesmo rego de sangue (que verdadeiramente merece esta minuciosa análise) se para cima do arco da sobrancelha e se existe horizontalmente mais a linha mediana, ensanguentando-se na sua altura, ao mesmo tempo que a espessura do coágulo aumenta manifestamente, o que faz mais intensa a coloração do calco. Evidenciam-se todos os sinais de uma paragem, como se tratasse de um canal bloqueado por uma escusa. O sangue foi forçado a acumular-se lentamente e foi possível coagular-se com facilidade, donde provem que se tenha estendido em altura, alargando em altura e aumentando a espessura do coágulo. Há, pois um obstáculo: é evidente, o sítio donde se faz a junção cenia a parte inferior da frente por cima do arco das sobrancelhas. Uma das ramas de junção devia cair intimamente aplicada transversalmente sobre a pele da frente. Há como uma banda horizontal sem nenhum coágulo em toda a altura da frente. À direita e à esquerda dois coágulos que param ao mesmo nível, e permitem seguir em seu conjunto o trajecto das junções. Em cima deles reaparece o sangue na vertical do rego frontal que acabamos de analisar, debaixo deste ponto onde havia começado a estender-se horizontalmente e a aumentar em espessura a linha média. Como o obstáculo está sempre ali, pegado à pele, o sangue começou por infiltrar-se entre os ramos e desdobrado em obstáculo. O coágulo que se forma por debaixo e, o primeiro, delgado e estreito na região suborbitaria , depois se encharca e se espalha progressivamente na parte interna da sobrancelha esquerda até á LACUNA da órbita do olho: E sempre o mesmo mecanismo de derrame e coagulação. Desafio qualquer pintor moderno - a menos que este seja um cirurgião, conhecendo a fundo a fisiologia da coagulação e tenha meditado muito sobre todas as modificações possíveis deste fio de sangue que se coagula lentamente através de diferentes obstáculos - imagina-lo e reproduzir este coágulo frontal. E em nenhuma destas condições, e mais provável que aqui ou ali qualquer erro o denuncie como falsário e a obra de sua imaginação. Enquanto á hipótese de que um pintor, seria um génio, se acha peremptoriamente capaz, depois de haver pintado ou colorado estampas negativas em plena Idade Media, de imaginar todas as minuciosidades deste coágulo tão real e verídico como sobre um ser vivo, e hipótese que desafiar um fisiólogo e um cirurgião. Não sabemos mais dele, não rogo. Esta imagem ELA SOMENTE, deveria bastar-se para provar que nada tocou o Santo Sudário, sendo ele mesmo crucificado. E só se trata de uma mancha entre cem ! e) A CRUZ E AS COSTAS Está desenhado sobre o Sudário traços evidentes de massacramento (Figura 3) ao nível da ombro e das joelhos. Recordemos uma tradição digna de termos em conta que se matérializou em três estações da VIA CRUCIS. Afirma-se que Jesus caiu três vezes debaixo do peso da cruz antes de chegar ao Calvário. Isto é o que determinariam os soldados requisitados por Simão de Cirene para levar o patíbulo em lugar de Jesus e atrás dele. Num caminho acidentado e cheio de pedras, essas caidas não podiam verificar-se sem desgarramento da pele, sobretudo ao nível dos joelhos. Judica, cujo trabalho seguimos de novo depois de termos abandonado os precedentes parágrafos, que nos mostra exactamente as imagens destas chagas em frente dos joelhos, sobretudo na direita (Ver Figura). Esta não só parece mais contusionada, assim como apresenta escoriações de formas e tamanho diverso, com bordes desgarrados sobre a região da rótula. Um pouco mais acima e já fora há, ademais, duas chagas redondas de dois centímetros de diâmetro. O joelho esquerda mostra também chagas contusas diversas, mas menos evidentes e menos numerosas. Mas é, sobretudo, na imagem dorsal onde se encontram as manchas produzidas pela cruz (Ver Figura ). No ombro direito, na parte externa da região subescapular existe uma ampla zona de escoriação, oblíqua, baixa e mais dentro, que tem a forma de um rectângulo de 10 centímetros sobre 9 centímetros. (Se vê, ademais, na imagem do anterior, que esta zona se prolonga mais diante sobre a região clavicular externa por amplas placas de escoriação). A zona posterior parece formada de uma acumulação de escoriações. Se sobrepõem numerosas chagas de flagelação, as quais estão como apastadas em relação com o lado oposto. Se compreende que um corpo pesado, rugoso mal fixado, fique gravado sobre este ombro e que através da túnica, fique apastado, reaberto e encharcado de chagas preexistentes na flagelação. Mais abaixo mas à esquerda , se vê outra zona de escoriações que representam os mesmos caracteres na região escapular esquerda. É redondeada, com um diâmetro de 14 centímetros. (Todo isto é exacto, mas eu quero precisar mais: região subescapular e ponta da omoplata esquerda). Mas, na interpretação, nos separamos amistosamente Judica e eu. Ele supõe que Jesus levava uma cruz inteira, patíbulo e braços pegados. É aliás uma cruz latina (A cruz em forma de T não mudaria nada a sua tese). Levar a cruz sobre o ombro direito, como se representa ordinariamente: um dos braços horizontais abaixo e adiante do corpo, e outro sobe atrás da cabeça; a parte vertical desce obliquamente detrás do corpo até aos pés. Ele imagina uma cruz de 2,80 metros, aproximadamente (uns 125 Quilos !) A chaga do ombro direito seria produzida pelo roçar do ângulo das duas peças horizontal e vertical, ângulo recto em que se encosta o ombro dos arrastadores de madeira. Enquanto a chaga esquerda se devia produzir no momento das caidas; o traço transversal posterior se apoia sobre a ombro do homem que está em terra e, por conseguinte, vem a ferir-se na omoplata esquerda. Eu opino, exactamente como Judica, foi ao cair Cristo, que a madeira da cruz feriu a parte esquerda do ombro, mas creio também que a verdadeira interpretação destas chagas é algo diferente da sua. Estudei detalhadamente a forma da cruz, as modalidades da crucificação e o lugar onde se colocou o título, de acordo com os arqueológicos e exegetas modernos; podia ser catégórico, porque se apresentam suficientes provas de textos e documentos. Está bem demonstrado hoje que a cruz estava formada por duas peças separadas e que, nenhuma se tratava da cruz latina (eu não o creio em absoluto), o condenado só levava às costas o braço transversal e o patíbulo até ao lugar do suplício, onde estavam preparados os apoios; é tudo o que Ele podia fazer e que em nosso caso Jesus não pode fazer até ao fim. Havemos de recordar a palavra de PLAUTO na CARBONARIA: QUE LEVE SU PATIBULO PELA CIDADE E QUE SEJA CRAVADO NA CRUZ. Todas as circunstâncias que aparecem me predispõem ao estudo da Paixão, quero citar esta: Aos 19 anos, fui sapador no 5º Regimento de Engenheiros de Caminhos de Ferro; ali acartei as travessas que se põem debaixo dos carris, falo pois, com conhecimento de causa. As travessas levam-se sobre o ombro, entre os homens, porque são pesadas; mas aparece sempre algum fanfarrão que carrega um só. Eu mesmo levei as costas com frequência vigas um pouco menos pesadas, o que me lembro muito bem. A viga tem de ser colocada em equilíbrio sobre o ombro direito, ou bem sobre o esquerdo se a pessoa é esquerdina. Em seguida se reconhece como e um homem nisto, segundo face que foi queimada por alcatrão injectado nas vigas para fazê-las imputrestiveis. Não se leva exactamente ao meio e horizontalmente, mas sim um pouco mais atrás, algo oblíquo e inclinado. A mão direita apoia-se sobre a metade anterior para impedir que a viga se levante. Se esta estivesse colocada exactamente na horizontal, à menor sacudidela a desequilibraria e cairia mais diante, sem possibilidade de retê-la. Por outro lado, a mão direita por um movimento natural, chega mais fora à extremidade anterior da viga, sempre que a posterior se oblíqua atrás. Todos estes detalhes têm importância, sobre todas as consequências de uma caida mais diante. Observando estas caidas, porque eu também era enfermeiro da guarda, na minha qualidade de estudante de medicina, no Polígono onde se faziam exercícios de trabalho. O homem que tropeça com uma pedra por não ter levantado o pé, cai geralmente sobre as rotulas, primeiro a direita (como anota JUDICA justamente) se não é esquerdino, e rasga suas calças e a pele; logo, tira a viga para amparar-se com as mãos ao cair. A viga esta agora oblíqua mais atrás e à esquerda. Ao levantar-se o homem, balanceia a viga mais diante e se desliza obliquamente sobre sua ombro oprimindo-la. Por o qual, depois de desgarrar a região escapular direita, faz o mesmo na escapular esquerda, mais abaixo, cerca da omoplata esquerda, roçando ao seu passo a espinha dorsal, e continua os rasgões na parte posterior da costa ilíaco esquerda. Enfim sempre rasgando a roupa havendo escoriações cutâneas de todos os ossos salientes, desde o ombro direito até à região sacro-íliaca esquerda, e às vezes até ao sacro. Estes rasgões não são contusões ocasionadas por um choque ou trama, mas sim escoriações por um roçar violento e rude, sobre as partes salientes e resistentes, de uma massa dura pesada, como a viga que desliza sobre a ombro, até tocar no solo. Não se explica esta experiência vivida, maravilhosamente, nas chagas contusas do lençol Santo ? Observando ademais que a região subescapular esquerda podia escoriar-se antes da caida, porque Jesus se inclinava mais diante pelo esgotamento. Com efeito, a causa da obliquidade que descrevi, o patíbulo devia roçar o omoplata esquerdo. Há que acrescentar que a Túnica de Argenteuil (que tem, Oh historiadores !, suas credenciais, pelo menos desde Carlos Magno) apresenta manchas de sangue nos mesmos sítios. Estas manchas resultam fortemente em negro sobre as fotografias de raios infravermelhos por meu amigo GERARD CORDONNIER, Engenheiro da Marinha, entusiasta e estudioso do Santo Sudário. JUDICA fala disto também, mas seguindo HYNEK, cuja citação é algo inexacta. Tenho aqui o que disse CORDONNIER, cujas fotos de raios infravermelhos tenho à vista:- 1. Várias manchas de tamanho mediano sobre a metade externa da clavicular, e acromion na região subescapular direita.- 2. Algumas manchas pequenas escalonadas a intervalos regulares sobre a apófises espinhosas dorsais, desde a 7ª cervical (sempre saliente) - 3. Uma mancha muito grande sobre a parte inferior e a ponta da omoplata esquerda que desdobra um pouco a direita da linha média.- 4. Um grupo de manchas importantes na parte posterior da cresta ilíaco esquerda.- 5. Mais baixo e por dentro, outro grupo de manchas correspondentes à região sacra. Todos estes pontos anatómicos foram tidos em conta ao levar as manchas à Túnica sobre outra tela da mesma dimensão (A Túnica tinha sido fotografada estendida sobre um papel quadriculado) e colocando esta outra túnica sobre um homem normal, de 1,78 m. Não temos falado, a respeito do Lençol Santo como das chagas: do ombro direito e a omoplata esquerda. Existe também umas manchas de escoriações sobre a cresta ilíaco esquerda, como existem na Túnica de Argenteuil ? É possível, mas estariam cobertas pela extremidade esquerda do rego transversal posterior. Não justifica toda esta descrição a profecia de Isaias (I,6): Desde a planta dos pés ao mais alto da cabeça não há nada nele que não sejam feridas e chagas que não foram tapadas, nem tratadas nem suavizadas com óleo. AS CHAGAS DAS MÃOS A iconografia cristã geralmente situa no meio das palmas das mãos as feridas do Crucificado. Claro que podíamos citar excepções a esta regra. Todavia encontrei numa sala do Tronetto no Vaticano, quando da minha visita na Páscoa. Se tratava de um grande crucifixo de marfim, oferecido por dois cavaleiros de S. João de Jerusalém a sua Santidade Pio IX. Os cravos aparecem quanto baste um pouco baixos, mas claramente em pleno carpo. O mesmo pode dizer-se de um Rubens em Rijkmuseum de Amsterdão, e de três Van Dyck em Anvers, Bruxelas e Burges. Também relembro a fotografia de um crucifixo de marfim dos princípios do século VI, que une a seu valor estético uma perfeição quase absoluta deste meu ponto de vista anatómico. Os cravos estão colocados exactamente na articulação da boneca e os dedos polegares ocultos nas palmas das mãos, em ligeira flexão. Ademais, os pés estão cravados planos contra o pau vertical da cruz e o direito colocado debaixo do esquerdo. O senhor R. Grunevald, encarregado de um departamento do Museu de Etnografia de Trocadero, teve a gentileza de me enviar esta fotografia, depois de ter lido a primeira edição deste opúsculo. A tradicional crucificação nas palmas é sensivelmente a tradução das palavras do profeta David: Eles trespassaram as minhas mãos, e a de Jesus a Tomas: Regista minhas mãos. Os artistas não se deram ao trabalho; para eles as mãos são as palmas. Segundo veremos logo, artistas de Bolonha do século XVI foram talvez os primeiros a revelar experimentalmente a impossibilidade de cravar nas palmas. Alegou-se um apoio da transfixação palmaria dos estigmatizados. Já contestei na primeira edição deste trabalho. Mas as minhas respostas em poucas linhas foram demasiadas concisas, pois muito contadas são as pessoas que querem ler nesta época dos cinemas, do Digest, de dez minutos. A maioria dos estigmatizados, desde Francisco de Assis até aos nossos dias (nos referimos desde logo, aos admitidos na Igreja), apresenta feridas ao nível do metacarpo, e dizer, na palma das mãos. Agora bem: estes estigmas, são reprodução exacta das feridas das mãos de Jesus ? Não é muito provável !!! Antes de tudo, se deve notar que estas chagas não têm sempre o mesmo aspecto, sino que são mais ao menos superficiais ou profundas e vão desde a simples escoriação até ao orifício aberto e sangrento. Às vezes nota-se, como no Francisco de Assis, uma espécie de verruga, cuja natureza anatómica não quero definir, pois que não se parecem com nada do quanto podemos ter visto. Esta sim, sem abargo, se descreve com grande exactitude das FLORECILLAS: E deste modo pareciam as mãos e os pés cravados e no centro dos cravos cujas cabeças estavam nas palmas das mãos e nas PLANTAS dos pés fora da carne, e seus pontos de saida pelo dorso das mãos e dos pés, de maneira que pareciam retorcidos e remanchados de modo baixo do remache e da torcedura, que saia toda sobre a carne, facilmente se podia introduzir um dedo como um anel; e as cabeças dos cravos eram redondas e negras. Noutra passagem afirma que estes cravos se moviam dentro dos espaços das mãos e dos pés: o qual foi comprovado depois da sua morte. Pode-se responder afirmativamente à minha pergunta ? Não. Estes estigmas não são a reprodução exacta das chagas do Salvador. Não se apresentavam assim quando se estendeu o Sudário. Eu não insisto na paténte inverossível das cabeças dos cravos fincados nas palmas dos pés, porque evidentemente estes cravos foram colocados no dorso. A todo isto julgo que a localização dos estigmas não é sempre a mesma, mas que varia, encontrando-se toda a superfície do metacarpo e também do muito perto do carpo. Deduz-se pois, que os estigmas não podem dar-nos explicação alguma sobre a localização nem sobre a localização nem sobre as formas das chagas na crucificação do Senhor. (Veja-se também as chagas do coração). Por outro lado este é o modo de pensar dos estigmatizados: as chagas não têm para eles mais que um valor místico. Não citarei que TERESA NEUMANN, cujas manifestações sobrenaturais parecem encontrar hoje a aprovação de autoridades legitimas. Um dia o médico HYNEK disse: Não creio que nosso Senhor tenha sido cravado pelas palmas, onde eu tenho os estigmas. Estes sinais têm somente um significado místico. Jesus devia ser mais reciamente na Cruz. E posto que falamos de misticismo, permitam-me recordar, com todas as reservas necessárias e com grande respeito, esta revelação da Virgem: As mãos de meu filho foram trespassadas naquela parte em que o osso era mais sólido CONCLUIMOS Sem discutir (não o poderíamos fazer) o mecanismo somático do milagre, nem sondar as intenções divinas (mas sim insistiremos com convicção que estes estigmas se fundam num porquê sobrenatural), cabe pensar que a impressão se produziu, geralmente, no lugar do estigmatizado crer que estas eram as feridas do Senhor. Isto parece providencialmente necessário, para o estigmatizado não se desoriente, ao princípio, defronte destas manifestações, elas conservam seu significado místico. Confessamos por outra parte, não compreender nada deste mistério ! Na hipótese impossível que esta prova me fosse imposta, meus estigmas estariam, quem sabe! não nos carpos, mas sim em plena palmas para dar-me uma lição de humildade! Em todos os textos sagrados, ao qual devemos todo o acatamento, não são explícitos. Não falam da palma mas sim das mãos. Aos anatómicos corresponde dizer que é o que constitui a mão. Em todo o tempo e lugar estão de acordo neste respeito: A mão é continuada por carpo, metacarpo e dedos. O sinal que falamos é fácil de ver sobre o Santo Sudário (Ver Figura). As mãos encontram-se cruzadas pouco mais ou menos diante do púbis; à direita se estende até à borda externa da raiz do músculo esquerdo; à esquerda passa por diante da boneca direita, qual esta completamente oculta, e ultrapassa bastante menos a linha central da mão direita. Isto é devido porque o ombro direito está mais baixo que o esquerdo, segundo se evidência. Só de passo recordamos que a boneca é uma região mal delimitada, que compreende as duas fileiras de corpos do carpo, articulados entre si, mas suas articulações com o antebraço (região radiocarpiana) e com o metacarpo (região metacarpiana). O antebraço termina e a mão começa na radiocarpiana, por cima do carpo, na sua concepção anatómica. No Sudário, as mãos não se vêm mais que quatro dedos; os polegares são visíveis, falando-se em educcion e oposição (já veremos porque), ocultos nas palmas. No dorso da mão direita, cuja boneca oculta a esquerda, nenhum sinal de ferida. Na esquerda, que está por cima da outra, uma chaga, uma troca, com as mais claras, que permite estudá-la com todo o detalhe. Esta é formada por uma mancha redondeada, da qual brota um caudal de sangue, que se remonta obliquamente e ao alto mais dentro (em posição anatómica, como a de um soldado em firme), basta chegar ao bordo cubital do antebraço. Outra eclosão se remonta até ao cotovelo; possivelmente aí segui um sulco entre os músculos extensores fazendo de quando em quando mais ao borde cubital, segundo a lei da gravidade. É também segundo a mesma lei, que na cruz o derrame principal seria seguramente vertical; e incluso se pode calcular, tomando como base o ângulo deste derrame com o osso do antebraço, qual seria a obliquidade do mesmo estendido sobre a cruz: formava com a vertical um ângulo de 65 graus. Tudo isto concorda, ademais, com as experiências que se realizaram sobre o alargamento possível do membro superior, que não pode rebaixar os 4 ou 5 centímetros, e os cálculos geométricos que se levaram a cabo Se supõe que os braços foram cravados mais ou menos transversalmente (e não pode ser de outro modo, quando se esticam os braços para cravá-los sobre o PATIBULUM), não pode o corpo ter baixado mais que os braços formem a vertical um ângulo menor de 65 graus. E aqui está o porquê. Muito se falou de alargamento dos braços por deslocação, e difícil me tem sido convencer a certos e bons admiradores do Santo Sudário, pouco anatómicos por certo. Vou explicar-me. Uma deslocação não podia produzir-se mais que as articulações dos ombros e do cotovelo. A luxação de uns cortaria o braço em vez de estriá-lo. Ademais, o cotovelo é uma articulação de modo de charneira, difícil de luxaram por simples tracção através do osso. No ombro, a troca, das duas superfícies, uma a umeral, esférica, e a outra, a escapula, quase plena, podem alojar-se algo, quando se dilatam por acção violenta os ligamentos articulares, precisamente como pode observar-se na base do dedo, quando se tira dele. Este alargamento pode aumentar o ombro, por um movimento de oscilação da escapula, mas na soma poderá alcançar um aumento de 4-5 centímetros. Por outra parte, se quer calcular o alargamento necessário do braço, quando o peso do corpo nos faz passar dos 90 graus ao ângulo de posição definitiva, basta calcular a hipotenusa do triângulo no qual os catétos estão constituídos respectivamente pela longitude do braço em sua posição inicial (horizontal) e pelo descair do ombro, ao debilitar-se o corpo. Admitindo, com termino médio, uma distância de 55 centímetros entre o dito ombro e o cravo da mão em sua posição inicial, um des censo de 90 a 45 graus da hipotenusa de 7 centímetros. O braço, partindo de 55 centímetros, se alargaria 22 centímetros mais ! Em troca, aos cálculos demonstram que, passaram de 65 graus, o braço não se alarga mais de 5 centímetros, o que eu julgo ser o máximo possível. Supondo uma posição inicial oblíqua em vez de transversal não resolveria a questão; na realidade, quanto mais oblíqua for mais a posição inicial, em mesmo descair do corpo supõe um maior estiramento do braço. Portanto, passando de 65 a 45 graus com um descair de somente 26 centímetros, se obtêm um alargamento do braço de 10 centímetros, e de 65 a 35 graus, com uma descida de 55 centímetros, resulta um alargamento do braço de 30 centímetros. Desculpem-me se anoto estas cifras; Eu quis apresentar o problema sobre vários aspectos; da anatomia à geometria, segundo meu parecer, estão de acordo; transversalmente desceriam até 65 graus; precisamente este ângulo que é possível medir-se no Lençol Santo. Quanto mais tarde fiz a experiência definitiva, depois de já ter publicado a primeira edição deste opúsculo e proporcionando ao escultor VILLANDRE todas estas angulações para seu crucifixo, crucificar um cadáver (Ver Figura) com o único fim de certificar-me dos meus cálculos e comprovar a imagem do Santo Lenço com a realidade, estendi os braços do cadáver quase transversalmente sobre a cruz, sem medir ângulo algum, rapidamente como um triste verdugo pressuroso de terminara trabalho; Os cravei em poucos segundos. E, depois de levantar a cruz verticalmente, estes braços, por si mesmos, espontaneamente, formaram com a vertical um ângulo que medidos, serão exactamente de 65 graus. Se virmos com maior minuciosidade (Figura 14) a boneca esquerda do Sudário, se distinguem REGOS principais de sangue, que emanam de uma zona central, que são as feridas do cravo. Estes regos são algo DIVERGENTES e formam entre si um ângulo de 5 graus. Depois de meditar largamente acerca destas manchas estranhas (são demais instrutivas e dão maior verismo a este estudo), sem advertir o seu significado. Creio presentemente ter encontrado as mudanças da postura do corpo. Ao tratar da causa determinante da morte, no capítulo III desta minha obra, demonstrei que a suspensão pelas mãos provoca nos crucificados um conjunto de efeitos, que se vão generalizando até produzir a tetania; afecta, ao final, os músculos inspiradores, impedindo a expiração; e ao não poder esvaziar os pulmões, morrem por asfixia. Podendo, não obstante, iludir momentaneamente este estado tetânico e a consequente asfixia elevando o corpo, apoiando-o sobre os pés. Neste momento os joelhos e as pernas se esticam, o corpo se incorpora, por conseguinte, o ângulo dos antebraços com a vertical aumenta um pouco mais o ângulo recto primitivo. O corpo passa, alternativamente, durante a agonia, de uma posição de afundamento e asfixia a outra de levantamento e alivio. Em cada postura, a eclosão de sangue vertical, que se coagula lentamente sobre a pele de forma que se veja o antebraço ânguloso mais distintos. A eclosão mais aleijada da mão, que se encontra a uns 65 graus, corresponde ao afundamento do corpo; a mais perto da mão corresponde ao levantamento e dum ângulo de 68-70 graus (Ver Figura). Chegamos já ao objecto das minhas investigações: Aonde se fixou o cravo? Minha resposta sem ambargos: EM PLENO CARPO. A chaga dorsal da mão esquerda, (Figura_14), a única visível na Sindone, não está certamente ao nível do metacarpo, coisa que ocorreria de ter sido o cravo fixado na palma. Isto parece francamente anatómico, à primeira vista. O nascimento dos dedos, assinalados pelo extremo dos metacarpos, é bem visível. A chaga se encontra alojada ali pelo menos em toda a longitude do metacarpo. Não se encontra tão pouco no antebraço. E há alguns que afirmam que o cravo estava fixado na parte inferior do espaço interósseo radiocubital. Mas este espaço se despega no ângulo para terminar na articulação radiocubital inferior. A suspensão seria sem dúvida muito sólida deixando por cima do cravo todo o maciço carpiano. Mas há que remontar-se no espaço intereosseo até encontrar entre radio e cúbito um intervalo de menos de 8 milímetros, que é a altura deste cravo. E isto colocaria a chaga a uma distância da boneca incompatível com a imagem tal qual a vemos no Sudário. Fiz uma experiência sobre o antebraço de um homem adulto trespassando completamente o espaço radiocubital: O ponto inferior onde o cravo entrou, os dois ossos se encontra a 5 centímetros por cima do pele de flexão da boneca. As Escrituras Sagradas não comportam semelhante localização. A exclusiva amabilidade do professor Vignon e do Padre D`Armailhacq, S. J., que com tanto apaixonamento como serenidade científica estudaram o Santo Sudário, me permitiram aperceber-me exactamente do nível da chaga. Estes senhores me proporcionaram as fotografias que, depois de muitos trabalhos, conseguiram obter no tamanho natural das imagens frontal e dorsal, do Santo Lenço. Sem nenhum género de dúvida, a chaga dorsal da mão esquerda, sem estar no metacarpo, esta todavia na mão: está, pois, no carpo. E medindo, nestas fotografias e noutros clichés directos de dimensões aproximadas, a distância entre o orifício e o extremo do terceiro metacarpo: rebaixa um pouco os 8 centímetros. Eu quis certificar-me experimentalmente do caminho que tinha percorrido o cravo; e realizei a crucificação, e seguidamente as radiografei e dissequei as peças Mas estabelecemos antes algumas anotações de anatomia. Ao que concerne a palma da mão, serei breve. Se o cravo se encontra tradicionalmente fixado em plena palma, entre o terceiro e quarto metacarpianos, perfurando a pele e a aponeurosis palmaria, pode ferir o arco arterial superficial, deslizar-se entre os tendões flexores, atravessar os músculos interósseos e sair entre os tendões extensores. O corpo suspenso, pendente no cravo. Sobre que órgãos transversais pode apoiar-se ? Existem algumas fibras transversais da aponeurosis palmaria, existe todavia outro frágil ligamento palmario. Os que já dissecaram algumas mãos sabem o sentido que isto é. TODOS OS ORGÃOS SÃO VERTICAIS Fica, pois, a pele, que se desgarraria provavelmente até á comisura Não ignoro a experiência de Donnadieu, que publicou um livro acerbo e cheio de pressupostos, para provar que o Santo Sudário era uma imagem pintada, hipótese hoje abandonada, pois as últimas fotografias e investigações confirmaram plenamente as constatações do ano de 1898. Estimando , pois que a palavra mão não pode referir-se senão a região metacarpiana (pressuposto singular), quis provar que a crucificação da palma da mão pode ser sólida; realizada a prova sobre um cadáver se constatou que os tecidos não se despegavam. Desgraçadamente para sua tese, o autor nos proporciona, em sua ingénua sinceridade assaz presto triunfante, detalhes e uma fotografia que demovem completam ente as conclusões da sua experiência. Declara que o cadáver, que lhe foi proporcionado por alunos da faculdade de medicina de Lyon, teria os dedos de tal forma flexionados na palma, que não podia extende-los completamente. Existe aqui uma dificuldade que não temos encontrado nunca em cadáveres frescos com uma mão viva. A fotografia mostra, com efeito, suspendido por uma só mão (quem muito quer provar, nada prova) um pobre e minúsculo cadáver demarcado, descarnado e, efectivamente, com os dedos flexionados. Para quem frequentou durante anos as salas de anatomia, se trata evidentemente de um cadáver preparado para a dissecção e assaz dissecado, o que explica a rigidez dos dedos; ademais, e de peso muito exíguo. Finalmente, as injecções arteriais propinadas para a conservação do cadáver modificam-no completamente, aumentando, a resistência das partes brandas. Nenhuma conclusão nos cabe deduzir desta experiência feita sobre um corpo tão distinto de um corpo vivo. Como foi o do nosso trabalho. O cadáver crucificado por mim era também um corpo bastante ligeiro e preparado para a dissecção, mas recente e flexível. Mas para o efeito, pouco importava, já que não se tratava de uma prova de resistência (que já se havia realizado, segundo veremos, sobre um braço recentemente amputado), mas sim de uma experiência de angulações. Para nos aproximar das condições de um ser vivo, fazia faltar operar sobre um cadáver fresco. Mas a lei não permite fazê-lo antes de transcorridas vinte e quatro horas depois da morte. Existe, assim sem embargo, algo mais prático, que é utilizar peças amputadas, como já disse. Sabido é, por outra parte, que os tecidos morrem lentamente depois do último suspiro. Durante mais ou menos tempo os músculos e os nervos reagem ainda a excitações eléctricas e mesmo a mecânicas; veremos como isto tem sua importância. Em resumo, as minhas experiências recairam, ao serem feitas imediatamente depois da amputação de um braço, sobre mãos realmente vivas, exceptuando-se, naturalmente a circulação do sangue. Eu realizei a experiência seguinte: depois de amputado o braço de um homem saudável, em seu terço superior, e cravado um cravo quadrado de 8 milímetros de lado (cravo da Paixão) em plena palma, a um terço do espaço metacarpiano. Suspendi suavemente no antebraço um peso de 40 Quilogramas (equivalente a metade do peso de um homem que medisse aproximadamente 1,80 metros). Ao cabo de dez minutos, a ferida havia descaido; o cravo se encontrava ao nível dos extremos metacarpianos. Provoquei então uma sacudidela muito moderada do conjunto e vi o cravo trespassar bruscamente o ponto limitado pelos extremos metacarpianos e desgarrar amplamente a pele. Uma segunda sacudidela arrancou o que restava da pele. Agora bem: um peso de 40 Quilogramas, senão de 95 Kg exercia tracção sobre cada uma das mãos do Crucificado. É de notar com efeito, que a decomposição de um peso pendurado as forças simétricas OBLIQUAS da componentes superiores a P/2. Seu valor, na realidade é de P/2 cos x, onde x é o ângulo das componentes da vertical. Um corpo com 80 quilogramas suspendido pelos braços, que formam um ângulo de 65 graus com a vertical, exerce, pois, sobre cada uma delas, uma tracção de 80 Kilos/2 cos 65º, ou seja aproximadamente 95 Kg. Um trabalho editado depois deste, livro, que assombra ver admitido como tese doutoral de medicina, portador em sua boa terceira parte de EXEGESIS rabínica, pretendeu contradizer esta experiência; nele se apresenta um cadáver crucificado nas palmas. O autor não nos diz que se trata de um afogado que permaneceu submergido na agua durante oito dias. Muito me guardara de discutir essa experiência, que sem desvirtuar a minha, não prova mais que uma coisa: isto é, que a resistência dos tecidos, é maior em num afogado de oito dias que num vivo. Mas nós estamos discutindo o caso de um vivo; A minha experiência foi realizada num braço vivo, recém amputado, estando de pé todo o seu valor. Minha experiência de crucificação não é certamente o primeiro que se tenha feito, e dele encontrei uma prova preciosa num livro italiano que meu amigo o Sr. Porche, membro da Junta de CULTURA SANCTAE SINDONISI. O arcebispo de Bolonha, Monsenhor PALEOTTO, depois de ter venerado o Santo Sindone de Turin, junto com S. Carlos Borromeo, em 1578, fez uma descrição minuciosa, quem sabe, a primeira que se conhece (Bolonha 1578). Vem ilustrada por uma reprodução muito detalhada da relíquia, que representa as manchas sanguíneas em cor de carmim. É a única cópia de valor que conheço A relação de Monsenhor Paletto e um estudo de maravilhosa intuição em certos pontos, dada a manifesta ignorância do autor em matéria de anatomia. Por exemplo, se estende largamente em por de manifesto que o braço saiu da junção do braço e da mão, chamado carpo pelo anatómicos. Na continuação constrói-se toda uma teoria, segundo a qual o cravo teria penetrado pela parte da palma, mas obliquamente descai o braço, para sair logo pela dita junção. Isto é anatomicamente impossível: Eu sei pelas minhas experiências. Era o MANUS o que preocupava o exegeta. Já notei desde o princípio a preocupação dos contemporâneos por conciliar a Sagrada Escritura com um falso conceito de anatomia. Disse ainda Monsenhor Paleotto (e isto me impressionou) que o cravo entrou directamente na palma, porque o cravo não podia suster o peso do corpo; assim a causa do mesmo seria o despegar da mão; segundo se demonstrou nas experiências feitas pelos pintores e escultores em valer-se de corpos mortos, para copiá-los nas suas obras. Conste que tais experiências não se iniciaram na idade média, mas sim no Renascimento, e precisamente em pleno século XVI, quando os estudos anatómicos mereciam grande estima e ocupavam um alto gabarito. Nisto deve remarcar-se o propósito das hipóteses a atribuir ao Santo Sudário de um suposto falsário medieval. Hallome, pois diante de anónimos e expertos percursores. E satisfaz-me, porque me é dado por eles, comprovar o bom sentido da humanidade em geral e dos artistas em particular. Provado que os cravos não podiam cravar-se nas palmas das mãos sem se desprenderem rapidamente, é preciso localizar outro sítio. Eu me pergunto, quem sabe, se o peso do corpo do crucificado não gravitava inteiramente sobre as mãos. Eu não contribuo para nada, pela fixação dos pés, que em todo o caso não podiam aligeirar sensivelmente a força da tracção. Estando flexionado os joelhos, o cravo dos pressuposta era mais que uma parte ínfima e insignificante do peso. Este cravo serve exclusivamente para impedir que os pés se desprendam do madeiro e da cruz; o que eu consegui comprovar claramente crucificando um cadáver. Também se disse que os braços poderiam ter sido atados com cordas a madeira transversalmente à cruz e que o períneo podia descansar sobre uma superfície de ponta ! entre as pernas. Em tais condições, a fixação das mãos não teria a necessidade de ser sólida, ficando uma parte do peso do corpo sujeita por estes dois artifícios. Não esperei a contradição (o Padre Braun o reconhece lealmente) para reforçar-me nesta objecção e para responder a mesma. Veremos que com o simples raciocínio podemos eliminar ambas as hipóteses. Como foi anotado na obra citada, o emprego dos cravos era procedimento usado mais frequentemente, incluindo os escravos; mais raro era o uso das sogas, exceptuando alguns paises, como o Egipto. Nenhum texto sugere que os métodos estão associados: e posto que era inútil, creio que se pode, sem mais, eliminar esta tese. Com respeito ao cedilhe ou puntal de apoio entre os músculos, cuja existência mencionam alguns textos e confirma S. Justino, não se encontra notícia mais que uma só vez, em Tertuliano, chegando à conclusão que o uso de cedilhe estava muito longe de ser constante. Não se aplicava ao pau vertical da cruz, senão quando deliberadamente se queria prolongar o suplício ao máximo, pois este era seu cometido. Quando se tratava assim os crucificados, podiam resistir melhor e mais tempo a tetania asfixiante, porque a tracção do corpo não se exercia inteiramente sobre as mãos (Se pode supor, com visos de certeza, dada a agonia relativamente breve de Jesus, que sua cruz não foi provida deste apoio). Ao juntar as sogas, mesmo este procedimento não fosse estranho a historia da sua crucificação, havia de prolongar igualmente a agonia. Mas por este motivo devemos excluir decididamente estes procedimentos e admitir a crucificação com cravos somente, e é a prostração do corpo na cruz. Podemos agora reconstruir com toda a exactitude, em seus mais pequenos detalhes, a crucificação. O braço transversal, o PATIBULUM, e levado pelo réu ao lugar do suplício: ali se arrasta pelo chão, sobre ele se encontra o condenado: seus braços estirados por verdugos, se colocam paralelos ao PATIBULUM, de modo que formem um ângulo de 90 graus com o corpo. Os verdugos tomam as medidas e com um taladro o atravessaram; sabiam que nos ossos os cravos entram facilmente, mas não na madeira. Logo fixam uma das mãos, tiram a outra e a cravam também. (1). RECORDO, SEM EMBARGO, UM EMOCIONANTE FRESCO DO BEATO Angélico, NA Célula 36 DO CONVENTO DE S. MARCOS, EM FLORENCIA, NO QUAL CRISTO SUBIDO A UMA PEQUENA ESCADA QUE ESTAVA APOIOADA NA CRUZ, SE MANTEM DE PÉ PARA A Crucificação, COM OS Braços ESTENDIDOS QUE OS VERDUGOS SE PREPARAM PARA CRAVAR, DESDE AS ESCALERITAS ARRIMADAS DETRAS DO PATIBULO ESTA Representação TINHA SIDO ESTRAIDA DOS HECHOS DE PILATO, APOCRIFOS, E DE UMA LEGENDA DE SANTA MARIA MADALENA, QUE SE ATRIBUI AS VENTURAS(?). A TRADIÇÃO E Veracidade Estão DE ACORDO COM ESTE MODO DE Crucificação DE JESUS. Põem na pele do condenado, e levantam-no pelos extremos o travessão horizontal que elevam (Ver Figura) até o colocarem ao alto do pau vertical, de tal maneira a que o corpo e a cruz reproduzam um T. A causa das sacudidelas, do corpo se desprega e os braços descem passando dos 90 graus aos 65 graus. Começam por cravar os pés um sobre o outro, com um cravo nico como veremos, flexionando ligeiramente as joelhos. Estas, pela parte posterior, formam um ângulo de flexão de 120 graus; os músculos e os suportes. dos pés formam ângulos de quase 150 graus, abertos adiante. Quando, para fugir à asfixia, o corpo se endireita tomando como ponto de apoio o cravo dos pés, os braços tendem a tomar novamente a posição horizontal, mas sem superar, como se vê no Santo Sudário, os 70 graus. Ao mesmo tempo aumentaram os ângulos dos joelhos, dos músculos. Todos estes ângulos os tinha calculado teoricamente, antes da experimentação, supondo em descanso o corpo a uns 25 centímetros, que correspondem precisamente a variações de 90 a 65 graus do ângulo dos braços com a vertical, e calculando em 65 centímetros a longitude do braço, desde o ombro ao carpo. Quando, muito tempo depois, crucifiquei um corpo de cadáver (Ver Figura), segundo informo extensamente da minha obra citada, usei uma cruz ligeira, preparada de antemão por um amigo e colega, o professor Hovelacque. Colocada horizontalmente, cravei os braços esticados a 90 graus, numa grua e completamente automático. Ao levantar a cruz, os braços desceram por si mesmos a 65 graus, as joelhos se flexionaram a 120 graus, e as empenas dos pés a 150 graus, exactamente segundo meus cálculos precedentes. De tudo isto se deduz que o corpo, ao passar pela posição primitiva e de relaxamento, desce 25 centímetros. O corpo estava suspenso unicamente pelos cravos das mãos, dado que o cravo dos pés, em posição de relaxamento, não sustentava nada É preciso encontrar pois na mão um sítio bastante sólido para que os cravos possam suster resistentemente uma carga de 90 quilogramas. Qualquer verdugo conhecedor do seu ofício sobejamente saberia que uma palma cravada se rasga. O raciocínio parece-me bastante válido para resistir aos ataques. O Padre Braun, F. M. (que prudentemente não se desviou de sua matéria, sem nos demonstrar com um só exemplo possível fragilidade de minhas realizações anatómicas), concede-me o comentário de muito bom. Tudo o mais, ele remete a respeito dos estigmas (algo que já falamos) a palavra mão usada nas Escrituras (e temos desfeito a objecção) e a solidez de meu experimento da crucificação nas palmas que foi rebatida (não negada, como se disse) em uma tese de inspiração rabínica, cujo maior autor termina, por outra parte, por chegar a conclusão da Existência de Jesus Cristo ! Na minha experiência realizada num braço vivo, vinte minutos depois deste ter sido amputado, permanece firme, e suas conclusões conservam toda a validez. Eu esperava que Braun me acusasse, com alguma aparente veracidade, de encontrar-me num circulo vicioso. Parece, com efeito, que eu me apoiei em uma mancha do Santo Sudário para chegar a demonstrar a autenticidade do mesmo. Não quis aproveitar-me desta indulgência para evitar-me defender-me. Confesso que se pudesse basear-me unicamente no coágulo do pulso, me encontraria numa desagradável posição dialéctica. Mas como temos constado, e comprovaremos com os pés e as costas, todas as manchas de sangue coincidem sem excepções e de um modo tão exacto e surpreendente como a realidade anatómica. Digamos já que esta concordância de veracidade dá lugar a uma presunção de verdade equivalente a uma certeza. Se tivesse uma só excepção, podia mudar e não conhecer a Santa Sindone uma confiança que aumentou sucessivamente ao continuar as experiências. E esta garantia se reforça mais, quando vejo que as manchas da boneca, em vez de apresentarem um só rego vertical, apresentam nitidamente dois, separados por um certo ângulo. Isto coincide com tudo o que sabemos experimentalmente da morte por asfixia e dos esforços que para elevar-se faz um crucificado. Há que ser cego para não ver todas as manchas de sangue puro reflexo da realidade. Mas Braun concedeu-me o obrigado do círculo vicioso. Muito bom - disse - , mas, quem me prova que estas manchas se devem a sangue e não a uma cor qualquer estendido artificialmente por um falsário ? - Ao ser verdade, todo o raciocínio se derrubaria desde os cimentos. O leitor, que leu aténtamente minhas precedentes demonstrações nos capítulos (da obra citada) que tratam da formação de manchas de sangue no Lençol Santo e da análise do coágulo formado sobre a frente a causa dos obstáculos da cabeleira e do capacete de espinhos, tem os elementos de resposta. Espero ter demonstrado claramente que todas as manchas de sangue não podem ter sido sulcos de coágulos, e de nenhum modo manchas de cor. Resumindo: estes coágulos têm um aspecto verídico e tal naturalidade que podemos reconhece-los à primeira vista e afirmar que somente a natureza os podia ter formado. Eles unicamente só podiam , imprimir-se directamente de imagens muito nítidas. Para imaginá-los antes de pintá-los, teria sido necessário um conhecimento profundo de fisiologia do sangue e uma precisão e perspicácia inverosímil para evitar erros que podiam atraiçoar um falsário, que não seria capaz de pensar em tudo. Enfim, realizar uma pintura com qualquer colorante sobre tudo, com sangue, não conduziria senão a formação de manchas de contornos difusos, irregulares, sem dos bordes netos nem a delicadeza infinita e surpreendente minuciosidade nos mais mínimos detalhes, que apresentam as manchas da Santa Sindone. Desde faz tempo reclamamos que se realizei sobre a Santa Sindone, com todo o respeito pertinente, as perícias que podem resolver a questão desde o ponto de vista científico, e estamos dispostos a coloca-las num plano adequado. Contudo, desde agora, podemos afirmar, através das análises das fotografias que estes grumos, não pode tratar-se de outra coisa senão de sangue. Se alguns exegetas recusam obstinadamente ceder as minhas razões, neste terreno estritamente anatómico fisiológico, me consolo com a adesão, geralmente calorosa , dos médicos. Há pois que encontrar por que sitio passou o cravo; Com efeito, no Santo de Lenço não está no metacarpo. Recordemos, de passo, que um falsário o teria sem dúvida representado neste sítio. Como em muitas imagens estranhas que contradizem o costume da iconografia, ele também tinha tido que conformar-se a tradição, pois que seu apócrifo sudário era destinado a veneração dos fieis. Detrás deste declive se encontra um fio fibroso compacto, alto como um dedo, solidamente inserto, na sua parte interna, no osso corvo, ganchudo e disforme, e na externa, no trapézio e escafoides. Passa em forma de ponte antes os tendões flexores, que mantém solidamente, fechando o canal carpiano e dando inserção aos músculos de ambos salientes: e o ligamento anular anterior do carpo. ALGUNS AUTORES DISTINGUEM DOIS LIGAMENTOS; UM SERIA O LIGAMENTO CARPI VOLARE; O OUTRO, QUE E A PARTE MAIS ROBUSTA, O DENOMINAM DE LIGAMENTO CARPI TRANSVERSUM. Em cima desta saliência aparece uma depressão que corresponde ao local de flexão da boneca; segue logo a cara anterior do antebraço. Parece, pois natural que se implantara o cravo, não no saliente que forma o talão da mão, mas sim no osso subjacente. Por conseguinte, é no local da flexão da boneca donde o cravo devia colocar-se este local se acha, no Sudário, no osso que aparece na zona dorsal da boneca, algo mais que 8 centímetros da cabeça do terceiro osso metacarpiano; se fala exactamente no borde superior do ligamento anular, que constitui de por si uma brida transversal extremamente resistente; a cirurgia dos flemones das veias tendinosas desta região nos demonstrou. Por outra parte, este borde superior projecta-se sobre o carpo, ocultando o extremo do grande osso todo o semilunar e uma parte da pirâmide o desdobram por cima. Examinando um corte transversal do carpo, ou melhor ainda, uma radiografia de frente, se vê no meio dos ossos do carpo um espaço livre limitado por um grande osso, o semilunar, o piramidal osso curso. Conhecemos este espaço tanto na perfeição, que sabemos, merecer dos trabalhos de Destot, interpretar sua desaparição como um sinal de deslocação do carpo, primeira fase dos grandes traumatismos carpianos. Pois bem, justamente este espaço se acha situado atrás do borde superior do ligamento anular anterior e perto da flexão da boneca. De tudo isto não deduz uma grande importância depois da minha primeira experiência. Tendo amputado um braço no seu terceiro superior, introduzi, imediatamente depois da operação, um cravo de secção quadrada de 8 milímetros de lado (como os da Paixão), cuja longitude reduzi a 5 centímetros para maior comodidade na radiografia. Estendida a mão com o dorso sobre uma tábua, coloquei a ponta do cravo ao meio da perto de flexão da boneca, bem vertical. Em seguida, com um martelo grande golpeei como um trabalhador que queira fixar um cravo direito e como podia fazer um verdugo conhecedor do seu oficio. Várias vezes repeti a experiência sobre mãos de homem (a primeira vez o fiz sobre a mão de uma mulher). Os resultados foram sempre os mesmos. Atravessadas as partes brandas, o cravo chega ao carpo, e apesar de que o aperta, noto que se oblíqua um pouco mais dentro, penetra sem resistência e sem ruído, logo se ladeia e com um pouco de sorte a base se inclina mais os dedos e a ponta mais ao cotovelo, saindo logo através da pele dorsal a um centímetro acima do ponto de entrada, segundo comprovo depois de tê-lo arrancado da tábua. As radiografias foram feitas de imediato. Eu creio, a priori, que o cravo se juntaria ao carpo e atravessava provavelmente o semilunar, destruindo-o. Os movimentos do cravo à medida que se enterrava me fizeram suspeitar que havia encontrado um caminho mais anatómico. Com efeito, na radiografia de perfil o cravo, algo oblíquo mais atrás e mais acima, passa entre as projecções do semilunar e do grande osso, que permanecem intactos. A radiografia da frente é todavia mais interessante: a sombra do cravo quadrado aparece rectangular, a causa de sua obliquidade. O cravo entrou no espaço de Destot e se separou, sem romper um só, dos quatro ossos que o limitam, contentando-se com amplia-los segundo sua medida. A dissecção da peça em questão confirmou-me o que se confirma na constatação radiográfica. O ponto central da entrada caia um pouco fora do espaço de Destot, de tal maneira que a ponta do cravo havia chegado a tocar o extremo do grande osso, sobre cuja superfície interna se havia deslizado até cair num espaço antes dito e atravessa-lo. Os quatro ossos terão sido algo separados, mas precisamente por causa desta separação ficaram intactos e solidamente apertados ao redor do cravo que, por outra parte, se apoia sobre o bordo superior do ligamento anular. Vem-nos à memória as palavras proféticas Exodus (XII,46) que repete S. João (XIX, 36) ao referir que Cristo não foi quebrado as pernas: Não lhe quebrareis osso algum ? O ponto de saida se acha um pouco mais elevado e interno que o ponto de entrada. De ter posto o cravo um pouco mais acima (como disse nas minhas outras experiências) um pouco mais acima ao centro de local de flexão, coincidiria exactamente com o espaço de Destot, que se acha um pouco desviado da boneca, entre o terço espaço intermetacarpiano. A obliquidade do cravo mais atrás e mais acima é consequência obrigatória da disposição das superfícies ósseas ao redor do espaço de Destot, e que foram reproduzidas em todas as minhas experiências. Com efeito, e tendo repetido a experiência da crucificação uma dezena de vezes, trocando o ponto de implantação ao redor do pele de flexão. Em todos os casos a ponta do cravo se orientava por si mesma, parecia deslizar sobre as paredes de um embulo e dirigir-se espontaneamente mais um espaço prefixado. Se se tentar fixar o cravo mais abaixo, no ligamento anular anterior ao carpo, não se chega a perfurar este, sem que o cravo deslize, e vá mais acima para entrar no espaço de Destot, ou bem mais a palma donde se perde, não podendo suster o peso de um corpo sem rasgar a mão. A última vez que dispus de uma mão fresca, isso é, recentemente amputada, tomei do bisturi de 8 milímetros. O enterrei na local de flexão da boneca e empurrei sem forçar; atravessei o carpo sem encontrar resistência, até sair no dorso da mão, sempre no mesmo sítio. Este sítio, na mão de um homem normal, se encontra em todos os casos a uns 8 centímetros da cabeça do terceiro metacarpiano. É a mesma distância que medi no lençol Santo. Existe pois um passo anatómico perfurando o normal caminho e natural por onde o cravo facilmente passa, e onde é mantido muito solidamente pelos ossos, do carpo e o ligamento anular anterior, sobre cujo extremo superior se apoia. A efusão de sangue deve ser moderada, quase unicamente venosa: o cravo não encontra nenhuma artéria importante, tal como os arcos palmares, o qual teria determinado um grande derrame de sangue sobre toda região dorsal da mão aplicada sobre a cruz e teria podido ocasionar uma hemorragia mortal. É possível que verdugos acostumados não tivessem conhecido empiricamente um sitio tão adequado para a crucificação das mãos, que reúne todas as vantagens e tão fácil de falar ? A constatação é obvia... E ai é precisamente onde o Sudário mostra o sinal do cravo, num sítio onde o falsário nunca teria tido a ideia nem atrevimento de figura-la. Mas estas experiências reservam-me todavia outra surpresa. Operava eu, como disse, sobre mãos vivas, imediatamente depois da amputação do braço. Desde a primeira vez observei, regularmente em todas, que no momento em que o cravo atravessava as partes brandas anteriores, estando mais acima a palma, o polegar se flexionava bruscamente opondo-se, por contracção aos músculos ternários, a ponto a que os outros quatro dedos se flexionavam ligeiramente, devido, quem sabe a excitação mecânica dos tendões musculares flexores maiores. As disseções me revelaram que o tronco do nervo central se encontra sempre gravemente lesionado pelo cravo, seccionando e triturado em sua metade, a dois terços ou um terço, segundo os casos: o nervo motor dos músculos oponente e flexor do polegar nasce precisamente do nervo mediano a este nível. A contracção dos músculos ternários, ainda vivos, assim como seu nervo motor, explica-se, pois facilmente por excitação mecânica da central. Cristo deveu agonizar, morrer e ficar na rigidez cadavérica, com os polegares opostos às palmas. É aqui o porquê no Santo Sudário das mãos vistas por trás não apresentam mais que quatro dedos, devido a que os polegares se encontram ocultos nas palmas. Um pressuposto pintor, podia ter imagina isto ? E atrever-se-ia a reproduzi-lo ? Trata-se de uma coisa tão verídica que muitos antigos copistas da Síndone juntaram os polegares, analogicamente e juntado os pés os pintaram nas suas superfícies anteriores dois cravos; tudo isto, desde logo, não existe no Santo Lençol. Mas ! Ah !, os centrais não são nervos motores, assim que também são muito sensitivos. Feridos e estendidos abaixo dos cravos, nestes braços tensos como cordas de violino sobre o seu cavalete, deveriam ter provocado dor atrozes. Os que viram durante a guerra chagas nestes centros nervosos, sabem que é uma das torturas mais terríveis que se pode imaginar; de tal maneira que sua persistência seria incompatível com a vida, senão se interpusera uma espécie de inibição; o qual provocam uma sincope. Sem embargo, Nossos Senhor, Homem de DEUS, capaz de levar aos seus limites extremos a resistência física, continuou vivendo e falando até o Tudo está cumprido, durante cerca de três horas ! E Maria sua Mãe, estava ali ao pé da Cruz ! emocionante para todo cristão que sabe compadecer, e padecer com .., E isto não é senão uma constatação objectiva. CONCLUSÃO : O cravo da mão foi enterrado no seu espaço natural, o espaço de Destot, situado entre as duas linhas de ossos do carpo. Agora bem: O carpo é parte integrante da mão, para os anatomicos de todas as épocas e de todos os paises está constituída pelo carpo, metacarpo e dedos. Podemos consequentemente, de acordo com a experiência, com os dados do Santo Sudário e com a Sagrada Escritura, repetir com Nosso Senhor, no sentido estritamente anatómico da palavra: Regista minhas mãos, e como disse o profeta David: Terão trespassado minhas mãos. AS CHAGAS DOS PÉS Temos visto que a localização das chagas das mãos estava envolvida numa série de graves dificuldades. A questão das chagas dos pés é incomparavelmente mais simples e fácil de resolver. Antes de tudo, sobre a mancha dorsal do Sudário se vê que os pés estão cruzados. O direito tem marcado uma mancha total, sobre o que nos debruçaremos. Da esquerda se vê o talão e parte do meio; mas não a parte anterior, que se oculta obliquamente detrás do pé direito (Por cima deste, portanto, sobre a cruz). É necessário, evidentemente, ver de perto e estudar as diferentes fotografias, comparando-as, antes de começar os detalhes; mas ao ver do entretanto aparece claro em seguida. O que complica as imagens são os caudais de sangue que se estendem quase por todo o lado nos pés, em frente e detrás dos buracos do cravo, transbordando as manchas. Parece seguro que o sangue, que havia deslizado através dos dedos na cruz, continuou derramando-se, mas através talões, quando elevaram o corpo no sepulcro na posição horizontal, e também no sepulcro. Ademais, o Lençol fez alguns rugas longitudinais, de maneira que alguns derrames de sangue se podiam ter reproduzido transversalmente por trasudacão no verso oposto à prega. Observando-se, com efeito, nos pés, imagens simétricas e inversas, delas, uma encontra-se integralmente fora da mancha da chaga do pé: coisa que não se pode explicar senão pelo mecanismo da prega. Antes de aclarar estas imagens algo complexas, nos redimimos ao ver de que, incluindo no sepulcro, os pés ficaram parcialmente cruzados.Isto não pode significar senão uma coisa aténdendo o que sabemos a respeito da rigidez‚ cadavérica e o que estava mais sobre a cruz, e o pé esquerdo colocado adiante e repousando a sua planta sobre o pé‚ direito. Uma vez descravados, pondo o corpo na horizontal, tenderiam por seu próprio peso a redobrar o paralelismo, mas a rigidez os cruzados. Pode-se, pelo ademais, observar, nas imagens anteriores e posteriores que o músculo e o joelho esquerdo se acham através e adiante com relação ao do lado direito. A rigidez devia ter sido seguramente rápida e considerável, dadas as fadigas da agonia de Jesus e a contracção dos músculos para reduzir os braços, da abdução com cruzamento das mãos diante do púbis. Mas, enquanto os pés, nenhuma razão determinava a modificar a sua postura, posto que na tumba podiam tomar a mesma da crucificação, ou seja cruzados e hiperestenção. Esta hiperestenção, alcançada ao cravar de plano no pau vertical da cruz, teria facilitado notavelmente a impressão da mancha da planta do pé direito, o qual, na tumba, se apoiava, naturalmente, sobre o Sudário. Se falou com demasiada ligeireza da luxação ou subluxação da garganta dos pés, e me lembrei-me encontrar esta afirmação incluindo nas obras de Hynek. Basta estender-se no solo e fazer a prova, em vivo, para dar-se conta desta coisas: as articulações tibiotarsiana e subastragalina têm movimentos normais bastante dilatados para permitir esta extensão forçada; e o suficiente dobrar muito ligeiramente os joelhos para que os pés toquem por completo o solo sem grande dificuldade e sem nenhuma dor. A coisa se acha todavia mais fácil pelo movimento de varus que avecina as pontas dos pés através a linha media, girando o pé através dentro. Este movimento se verifica em correspondência com as das articulações: a subastragalina e a mediotarsiana. Temos visto que a posição de relaxamento e o ângulo aberto adiante, formado pela garganta do pé, era de 150 graus. Pode-se aumentar mais todavia, se ao mesmo tempo se aumenta de 120 graus formando a parte posterior dos joelhos, quando o crucificado trata de endireitar-se. Naturalmente, refiro-me a um pé de homem perfeitamente normal, que não possua nenhuma articulação relaxada. Um pé de mulher chegaria a uma extensão maior: as bailarinas, verdadeiras articuladas, andam sobre as pontas dos pés, estando estes no mesmo da perna. No homem há que eliminar razoavelmente toda lesão das articulações do pé, torceduras e luxações. A cruz do pé esquerdo adiante do direito, é o oposto ao uso seguido ordinariamente pelos artistas; a maioria dos crucifixos apresentam o pé direito por cima do esquerdo, quando não estão separados. Eu questiono-me o porquê ou motivo desta preferência. Provavelmente e de natureza estética e depende da costume frequentíssimo de inclinar através a direita a cabeça de Cristo. Quis dar-se a esta atitude explicações simbólicas, que me parecem bizantinas: Jesus crucificado no NORTE de Jerusalém, com a vista para SUL (?), havia inclinado a cabeça através Ocidente, onde teria criar-se a nova Igreja entre os gentios, apartando-a do Oriente e dos hebreus que a haviam chegado (!). Perderíamos lastimosamente o tempo se nos puséssemos a discutir o fundamento destes símbolos no terreno histórico. Mas, deste ponto de vista artístico, esta inclinação através a direita da cabeça determina certamente uma curva em toda a forma do corpo que, para equilibrara harmoniosamente as massas, deve levar a uma flexão do músculo direito; esta obriga através do joelho direito e, coloca o pé direito sobre o esquerdo. Esta era a minha impressão antes de muitos pintores e escultores me manifestarem espontaneamente a mesma ideia, quando lhes expus a questão. Aproveito a ocasião para juntar que esta inclinação da cabeça através a direita para traduzir E INCLINOU CAPITE, EMISIT SPIRITUM se baseou num erro fisiológico. Se o crucificado vive todavia, pode inclinar a cabeça através um lado, a condição de que está endireitado; se, pelo contrario, esta abatido, a tetania, exercendo sua acção com a mesma intensidade sobre as duas massas musculares, direita e esquerda, do qual, deve fixar a cabeça em posição simétrica, inclinada mais ou menos adiante ou atras, segundo que predominam os esternocleidomastoideos ou os trapézios. Depois da morte, INCLINATO CAPITE, a igualdade das massas musculares, fixadas pela rigidez cadavérica na posição de tetania, obriga uma posição média e simétrica da cabeça, inclinada adiante através o esterno, ficando os dois esternocleidomastoideus, que são músculos inspiradores robustos, contraidos pela asfixia. E a posição que deu a seu hermoso crucifixo (Figura 24) meu querido amigo e doutor VILLANDRE, (Ver Figura) depois de minhas indicações. E parece-me também que essa posição é todavia visível no Lençol Santo. Por outra parte, sabemos que a partir do SEC XVI alguns artistas, entre eles Rubens, como temos dito, Tendo tido conhecimento do Santo Sudário, puseram os cravos nos carpos. Quem sabe viram também que os pés da relíquia estavam cruzados mas como a imagem de todo o corpo está invertida, o pé esquerdo figura aparentemente atrás do direito. Se eles não reconheceram esta inversão obrigatória, podiam copiar a posição dos pés sem flexionar: e simplesmente uma hipótese. Mas voltemos ao estudo das manchas. A mancha do pé direito da manchaa dorsal é a mais interessante, pois está completa. E, contudo, e preciso observar que através o talão esta muito menos marcada, o qual induz a considerar o pé como mais curto. Dele falamos extensamente na obra citada, ao tratar do traslado ao sepulcro. Comparando fotografias de diversos tamanhos e provas de tonalidades diferentes, se pode sem ambargo, assinalar nitidamente o bordo posterior do talão. Tendo isto em conta, e possível transladar o calco da imagem do pé direito: se obtém uma mancha da planta do pé muito interessante. O bordo interno é mais vaporoso em sua parte média, mas apresenta, de todos os modos, uma concavidade muito neta e correspondente a parte abaulada da planta do pé. Mais adiante, a impressão se encharca; mais adiante todavia, se distingue a mancha de cinco dedos; o dedo gordo com seu óvalo amplo largo, muito superior aos outros quatro; os três seguintes redondeados, e o pequeno ligeiramente triangular em sua base posterior. Em resumo, se encontra uma mancha de planta normal, como assim a tivemos impresso em papel enxumado, ou como se um pé húmido a tivesse deixado no solo. A concavidade da planta e normal, nem pouco pronunciada nem muito ôca. Os dedos estão ligeiramente separados um do outro, como de um pé que não conheceu as apertaduras do calçado, tendo deambulado sempre livre ou simplesmente de sandálias. Sobre esta mancha estão marcados, em sinuosidades caprichosas, os coágulos da eclosão de sangue, de uma tinta carmesim que se destaca do bistre do pé. Vendo a metade se vê uma mancha rectangular, um pouco mais perto do borde interno que no extremo da mancha, e os distintos fluxos parecem ter aí o seu centro. Alguns se dirigem através dos dedos: a maior parte através o talão e, como temos dito, desbordam o contorno da imagem do pé, até à prega do Sudário. Esta imagem quadrangular e seguramente é seguramente o sinal do cravo, por mais que o Reverendo NOGUIR DE MALIJAY tenha localizado a através o talão, supondo que tenha sido feita através do tarso ! por analogia com a da mão fecha no carpo ! Enquanto a mão, estamos de acordo, quando o sábio religioso não tenha podido, por falta de experiências anatómicas, precisar exactamente o sitio. Em troca, para o pé a coisa não e admissível. Para cravar os dois tarsos, um diante do outro, se estava precisado um cravo demais de doze centímetros. Por outra parte, os ossos e as articulações do tarso opõem a penetração, sobretudo estando cruzados os pés, uma resistência muito maior. E finalmente, não se vê no tarso mancha o sinal que possa corresponder ao buraco do cravo. Sobre um pé recentemente amputado eu intentei cravar a parte anterior do tarso, que e menos espessa. Para cravar um só pé foram precisos mais de vinte marteladas contundentes para atravessar o maciço osso, fendendolo, com fracturas. Nos falta, pois, localizar o orifício da crucificação. Vai ser medicina operatória e um mêstre dela, o professor FARABEUF, quem nos explicaram. Sabemos que a interlinha articular de Lisfranc, que separa entre si o tarso e os metatarsos, esta marcada por uma linha oblíqua através fora e através atrás, cujas extremidades estão situadas no meio da borda interno e o borde externo do pé. Mediamos, delineemos e comprovaremos que a chaga do cravo se encontra imediatamente diante da interlinha de Lisfranc. Por outra parte, a chaga se encontra entre o espaço que separa o segundo e o terceiro dedo; sabemos que, a causa maior ranhura do primeiro metatarsiano, este que divide pouco mais ou menos o pé em partes iguais. Podemos, pois, concluir com bastantes probabilidades que o cravo passou pela parte posterior do segundo espaço intermetetersiano. Eu realizei a experiência. A introdução e fácil; o cravo não encontra mais que as partes brandas, separando o segundo e terceiro metatarciano. No dorso, a artéria do pé foi submergida na parte posterior do primeiro espaço, na planta, o cravo pode evitar seu arco profundo, que cruza a base dos metatarsianos. De todas as maneiras, a hemorragia não é mortal e o sangue (sangue venoso) deve ter jorrado principalmente depois de retirado o cravo, o que explica o grande fluxo de sangue através o talão, que se achava no declive pelo decúbito dorsal. (Ver Figura) Provado, por outra parte, sobre um cadáver o sobre você mesmo, de cúbito supino, ao haver cruzar os pés, o esquerdo em cima do direito, e vos dareis conta destas coisas tal como eu mesmo verifiquei. Basta par isso flexionar os joelhos; não e necessário que a flexão seja muito acentuada; uns trinta graus e suficiente, partindo da extensão (150G). Os pés, estendidos, em equinismo, com a ponta alargada, podem inclusive descansar planos, sem que se precise o artifício de um cavalete oblíquo, o imaginário suppedaneum. Este artefacto e completamente inútil e complica a crucificação; e mais provável que os verdugos tenham prescindido dele. Tendo posto assim cruzados os pés, tratados, sobre um cadáver, de perfura-los juntos com um punção ou com um cravo; instintivamente os vereis levados a aderir na parte posterior do segundo espaço. E repito uma vez mais: os verdugos conheciam o seu oficio. O peso do corpo descansava assim sobre o cravo em toda a massa dos dois trasos; graças a sua robustez podia o crucificado apoiar-se sobre o cravo quando queria incorporar-se para aliviar a tracção sobre as mãos e diminuir as contraturas. A espessura que se teria que atravessar era considerável e a maior parte do cravo se fundia na madeira; o cravo atravessava facilmente partes brandas sem resistência; a hemorragia, finalmente, era insignificante, já que nenhum vaso importante se encontra no dito ponto; e isto permitia a prolongação do suplicio. Todavia não temos tomado em consideração, em todo este estudo, a imagem anterior do Santo Sudário (figura 2). Na verdade e menos instrutiva. Se notam claramente os joelhos em correspondência com o borde superior das peças de tela aplicadas pelas Clarissas de Chambery depois do incêndio de 1532. As rotulas são paténtes a esquerda esta mais adiante que a direita. No que se refere as pernas , nas sua partes inferiores se difusão de tal maneira, que a região do empeine é difícil a sua interpretação. Parece que o Lençol se tivesse aleijado nesta região, ficando um pouco no osso desde o meio da perna até a ponta dos pés. No dorso do pé ha, ademais, uma grande mancha de sangue de forma trapezoidal, irregular, que se prolonga mais abaixo para um rego, no lado esquerdo. Foi interpretada de diferentes maneiras: VIGNON a coloca no dorso do pé esquerdo e nota ai também a chaga do cravo. Eu não o creio. Se se compara a porção pouco visível do dorso dos pés com as manchas das plantas, se vê claramente que os pés, que estavam muito cruzados no suplicio, foram separados da sua posição, mas permanecendo sempre cruzados; pelo qual o pé esquerdo cobre o dorso do pé direito somente na parte anterior das pontas. O dorso do pé direito, em toda a sua parte posterior, deve estar mais ou menos marcado na mancha anterior do Sudário. Agora bem, esta mancha de sangue esta justamente no eje da perna direita. Se determina - por reconstrução anatómica (em relação com a forma do músculo e com a posição da rotula) a experiência numa pessoa viva de tamanho normal, como disse LEGRAND - a disposição da empeine, parece muito provável que este grande coágulo se tenha formado durante a permanência na cruz, saindo da chaga da planta esquerda e da dorsal direita, que estavam unidas pelo cravo. A pressão do pé esquerdo foi estendida sobre o dorso do pé direito este sangue que continuava fluindo no sulco dos pés. Uma vez retirado o cravo e separados ligeiramente os pés, este coágulo marcado sobre o dorso do pé direito se manifesta nitidamente: sua forma trapezoidal se prolonga, em ponta, mais os dedos do pé, direito a causa do sangue coagulada neste sulco. Enquanto o buraco do cravo de que nos fala VIGNON, eu não o vejo. Repito uma vez mais que todo este pertence ao caminho de hipóteses. A debilidade das manchas faz difícil a sua interpretação e requer uma reconstrução anatómica. Depois de tudo, isto não faz mais que confirmar as conclusões das manchas das plantas. CONCLUSAO: UM SÓ CRAVO ATRAVESSADO, NA PARTE POSTERIOR DOS SEGUNDOS ESPAÇOS INTERMETATARSIANOS, AMBOS PES CRUZADOS; O ESQUERDO ADIANTE DO DIREITO APLICADO DIRECTAMENTE NA CRUZ. Parece que pode encontrar-se uma imagem simétrica do cravo na mancha dorsal do pé esquerdo, bastante menos clara que na do direito. Não sendo a parte anterior visível, a impressão não aparece clara; mas com relação ao talão, parece situar-se no mesmo nível, longitudinal e transversalmente. CHAGA DO CORAÇÃO Digo chaga do coração e não das costelas, porque toda a tradição o afirma e a minha experiência o tem confirmado: A lançada dada na costela direita chegou a aurícula direita do coração, perfurando o pericárpio. AO CHEGAR OS SOLDADOS A JESUS, COMO O VIRAM JÁ MORTO, NAO LHE QUEBRANDO AS PERNAS, SENAO QUE UM DOS SOLDADOS O ATRAVESSOU COM SUA LANÇA A COSTELA, E NESSE INSTANTE SAIU SANGUE E AGUA (JOAO XIX 33-34). Porque este golpe de lança estranhamente propinado a um morto ? O corpo do martirizado era restituído legalmente a família com a autorização do juiz: mas o verdugo não podia entrega-lo senão depois de assegurar-se da sua morte (e se era necessário provoca-la; mas este não era o caso presente) com um corte que abrisse o coração. Este costume que a nós parece estranho, não e senão a execução de um regulamento militar. Esta eclosão de sangue e agua de um cadáver intrigou profundamente em todas as épocas, a exegetas e teólogos. Já ORIGENES respondia aos insultos sarcásticos de Celso (Contra Celsum, II,36): Sei muito bem que de um cadáver não pode sair nem sangue nem agua: mas Jesus é milagroso. Isto documenta (diga-se incidentemente) que os católicos faziam melhor em confiar numa revelação bem sólida antes que, como se constatou a menudo, seguir sem mais nem mais a ultima mistificação mais ou menos científica, para não parecer retrasados de noticias; sem ambargo, a alta autoridade, inspirada e responsável, da Igreja da exemplo de prudência. Enquanto a agua, veremos que se trata, sem a mais pequena dúvida. Mas observamos com assombro que se perpetua através dos séculos a estranha ideia de que um cadáver o sangue se coagula e que dele não pode sair sangue líquido senão por um milagre. Sem ambargo, os encarregados dos sacrifícios, os aurispices e também os matarifes devem saber que as grossas veias, quando se abrem para vazar o interior de um animal, provocam um borboto de sangue. Não quero criar muitos testigos, mas encontro este erro confirmado na recordada DESCRIÇÃO DA SANTA SINDONE de Mons. Paleotto, arcebispo de Bolonha, publicada em 1598: VERDADEIRO SANGUE E VERDADEIRA AGUA SAIRAM DO REDENTOR... E SAIRAM DESTE DEPOIS DA MORTE; QUE E COISA ASSOMBROSA, COMO OBSERVA S.AMBROSIO, E FUNDAMENTA O MILAGRE DIZENDO... QUE SÓ O SANGUE SE COAGULA NOS CORPOS DEPOIS DA MORTE. E refere as palavras de S. Ambrosio (em LUCAS, capitulo 23): Foi um milagre que o sangue saisse de um cadáver... Posto que certamente depois da morte se coagula esta no corpo. Para Mons. Paleotto outro hecho é um mais milagroso, e é que se pode ver sair ao mesmo tempo sangue e agua, distintas uma da outra, mientras que logicamente deviam sair misturadas. O Padre Lagrange, eminente exegeta, o qual ha tomado a cita de Origens, escreve em seu comentário a S. João, sabia também que se tratava de um milagre e por isso insistiu tanto no testemunho ocular. Não intentaremos, pois, dar uma explicação fisiológica mais ou menos exacta. Mas, não porque o considere o feito como milagroso e atéste a sua realidade se deve dizer que se alcança somente um valor simbólico. Esta e a realidade que importa sobre tudo como base do símbolo. Perdoem-me se crítico o professor, mas é que não vejo onde João afirme um milagre. Esta sim, sem dúvida assombrado; mas, não é sobre tudo sobre a saida da agua ao mesmo tempo com o sangue a causa do assombro ? Não quero dizer mais: saiu sangue e também agua ? Quem o sabia que sangue pode sair de um cadáver, mas o fluir da agua devia parece-lo coisa extraordinária, como pareceria a primeira vista também a um médico do nosso tempo. Muito numerosas são as explicações simbólicas que todos os Padres terão junto a esta realidade solenemente afirmada, para que eu possa dedicar-lhes a minha aténção, tanto mais porque isto me levaria fora de argumento; todas elas estão orientadas mais a redenção e purificação. Consideremos só uma belíssima de S. Jerónimo, que o Padre Lagrange nos cita: A LANÇA ABRE O PEITO DE CRISTO E ESTE DERRAMA E CONSAGRA AO MESMO TEMPO O BATISMO DE AGUA E O BATISMO DE SANGUE COM O MARTIRIO (Epistola 83, ad Oceanum). Em que ponto do peito foi ferido Jesus pela lança ? Uma tradição constante o sítua sobre o lado direito; e o feito é tanto mais importante enquanto que a opinião comum, incluindo nos nossos dias, coloca o coração no lado esquerdo, o que e falso. O coração ocupa uma posição MEDIA e anterior, e repousa sobre o diafragma, entre os pulmões, atrás do esterno, no mediastino anterior. Só a ponta se dirige nitidamente mais a esquerda, mientras a base supera na sua direita do esterno. Desta tradição da lançadura dada na parte direita, ha aqui dois exemplos: S. Agostinho escreve no livro A CIDADE DE DEUS (Lib XV cap 26): Tuvo uma porta franca no lado direito, certamente se trata da abertura que apresentava as costas do Crucificado ao ser ferido pela lança. O Papa Inocencio II (1190-1216) escreve o livro (Mistério Evangélico livro II cap 58): O CALICE NA MISSA ESTÁ SITUADO Á DIREITA DAS OMOPLATAS, DISPOSTO PARA RECOLHER O SANGUE QUE NOS CREMOS QUE BROTOU EM ABUNDANCIA DO PEITO À DIREITO DE CRISTO. Mas voltemos ao texto evangélico: Um dos soldados o abriu as costas com a lança e dali emanou sangue e agua. Inquiri a anatomia e a experimentação que me explicaram este texto, e veremos a resposta. (S. Agostinho se referia a Arca de Noé, e paragona a parte latéral da mesma ferida do Coração de Jesus) No Santo Sudário evidência a aureola desta chaga claramente no lado esquerdo: o que significa, estando as manchas invertidas, que o cadáver se havia recebido no lado direito. O curioso que a pesar do prejuízo corrente que coloca o coração do lado esquerdo (mientras e somente a ponta a que golpeia), nada me ha contradito, nunca enquanto a questão do lado. Ademais, nunca se ha objectado o feito dos estigmatizados. S. Francisco Assis, e verdade, tinha sua chaga a direita; mas depois dele, numerosos estigmatizados terão tido suas feridas a esquerda; Teresa Neumann, por exemplo. Evidentemente, esta diferente localização das costas e mais clara que a das mãos: se buscou explicações ... que não explicam nada. Por exemplo esta: o estigmatizado, neste caso, teria a chaga no lado em que se encontrava estando de frente para a chaga de Jesus, a quem contemplava. Melhor que adiantar teorias tão científicas, prefiro confessar que isto ultrapassa o campo da ciência, e respeitar o mistério destes fenómenos. Ademais isto vem a reforçar a opinião que eu expus a propósito das mãos: os estigmas tem um significado puramente místico, e de nenhum modo podem pretender ser uma reprodução mais ou menos exacta das cinco chagas da Paixão. Sobre a imagem anterior do Sudário se vê no lado (Ver FIGURA) esquerdo (por conseguinte, no lado direito do cadáver) um enorme fluxo de sangue, na parte oculta sobre o borde externo por uma peça de tela cosida depois do incêndio de 1532, pelas clarissa de Chambery. Se estende mais acima a uma altura de 6 centímetros e desce, dividindo-se e ondulando sobre o ao redor de 15 centímetros de altura. Sua margem interior esta caprichosamente entrecruzado por linhas curvas, que apenas podem explicar-se num fluxo de sangue que se tivesse deslizando sobre um cadáver na posição vertical; por outra parte, não se estende de um modo homogéneo e apresenta ademais várias lagunas. Nenhum pintor teria pensado jamais representar um derrame de sangue irregular. Sem ambargo, corresponde a realidade, e uma vez mais a imaginação dos artistas e deficiente (que génio foi, pois, o hipotético falsificador !); só a natureza, em consequência a Sindone, podia permanecer na verdade infalível. Meu amigo ANTOINE LEGRAND teve a ideia genial de pintar a chaga das costelas e o coágulo situado imediatamente abaixo dela, no peito musculoso de um homem da complexão de Cristo, depois de ter revelado no Sudário os pontos de referencia que nos fixaremos mais adiante. Levou-se a cabo nesta pintura um homem estando na posição de sepultado, com as mãos cruzadas sobre o hipogastro, e na continuação se tomar a posição de um crucificado, ou seja, com os braços formando com o corpo um ângulo de 65 graus. Já nesta posição, LEGRAND viu elevar-se imediatamente nas costelas medias e em cada uma delas a extremidade anterior de um repliegue do músculo grande dentado; a cada ondulação da borda do coágulo correspondia um destes pliegues musculares, que na verdade, eram bem notados pelos artistas. Porque não teriam pensado nisto? Porque pintavam só regos de sangue; porque ignoravam a fisiologia da coagulação; porque não sabiam a correspondência com cada um destes pliegues intramusculares a sangue devia estender-se, retardar sua descida e agrupar-se facilmente num coágulo mais amplo. E eu teria pensando o mesmo apesar de tudo o que sei ? A mancha sobre o Santo Sudário, vista em pleno dia (Figura 20), ressalta pela sua cor arroxeada, como todas as manchas de sangue, sobre o conjunto da imagem, que tem cor parda. Corresponde exactamente a uma eclosão importante de sangue, na parte caida em terra, e na parte coagulada no contacto com a pele, na zona sucessiva. A parte superior do coágulo, a mais perto da chaga, e a mais espessa e mais ampla, porque o jorro e importante: isto, como temos dito, o conhecem bem os cirurgiões. O contrario se verifica quando o sangue saindo em quantidade discreta, se para na sua descida e se acumula ao encontrar um obstáculo, como anotamos em frente, ao falar da coroação de espinhos. Na parte superior se distingue nitidamente, assim sobre o original como sobre as fotografias, uma parte ovalada de grande zona transversal um pouco oblíqua mais para fora e mais acima, que demonstra claramente ser o sinal da ferida das costelas donde emanou o sangue. Esta ferida mede 4,4 centímetros na sua parte mais ampla e 1,5 de altura. Se trata de delimitar-la bem, para poder transladar a outro corpo. Eu decalquei e tomei medidas sobre fotografias de tamanho natural, postas a minha disposição pelo professor Vignon e o Padre Armailhacq. Sim ! Sobre estas interessantes provas se percebe claramente o relevo do peito e até se distinguem os mamilos. O borde interior da chaga está a 9 centímetros abaixo e um pouco mais fora do peito, sobre uma horizontal que passa a 9,5 centímetros abaixo dele. Mas o peito não é senão um sinal fixo de referência. No corpo só as partes que constituem o esqueleto permitem orientar-se. Eu dirigi-me, pois, mais para o esterno. Na base da cuello uma serie de manchas se estendem bastantes visíveis, uma das quais, central, correspondendo seguramente ao osso supraesternal; as outras, latérais, um pouco mais altas, correspondem aos ossos supraclaviculares. O bordo inferior da mancha central marca pois, sensivelmente o borde superior do esterno. No osso epigastro ha uma mancha vertical, irregularmente rectangular, dividida e esfumada na sua parte inferior, que revela também claramente o osso situado entre os dois músculos grandes rectos, cujo fundo descansa sobre o apêndice xifoide. O bordo superior desta mancha é, pois o extremo inferior do esterno. Em baixo se vê a mancha do umbigo; mais abaixo todavia, as mãos se cruzam em frente do púbis, e, em todo este conjunto, as proporções parecem justas e harmónicas. Até se pode, nas costelas, discernir os rebordos das costelas que aplanam sobre os hipocôndrios. A parte inferior da mancha do lado direito chega até debaixo deste rebordo, tocando a região abdominal. O esterno, assim delimitado, alcança uma altura de treze centímetros, nada exagerada num homem que mede pelo menos 1,78 m. Falta, pois, somente localizar a chaga com relação a linha central e a ponta do externo inferior), referencia fácil de falar em outro corpo. Agora bem, a extremidade inferior interna da chaga se acha sobre a horizontal que passa a 3 centímetros debaixo da ponta e se encontra a 12 centímetros da linha central; o extremo superior externo se acha sobre a horizontal que passa a meio centímetro abaixo da ponta e se encontra a 16 centímetros da linha central. E aqui a chaga localizada; não fica senão translada-la sobre corpos vivos e radiografar; translada-la sobre cadáveres, praticar a experimentação e, logo, a dissecção. Antes de começar estas experiências dirijamo-nos uma vez mais, a nossa vista para o Santo Lenço, que representa neste lado duas novas manchas anormais, dois erros a primeira vista: já sabemos que estas manchas são as mais instrutivas. Faz tempo que se notou que o braço direito não tinha a mesma posição que o esquerdo: o cotovelo esta claramente mais abaixo e mais mais a direita do que da esquerda. Se tentou explicar esta anomalia dizendo que também o ombro direito está um pouco mais abaixo. A coisa é exacta e se deram várias explicações, desde a deslocação (?) da articulação do ombro até a deformação profissional dos obreiros mandextros que teriam esse ombro normalmente mais abaixo. Esta ultima hipótese apresentada pelo Doutor GEDDA, da Universidade de Roma, pode ser exacta, mas não suficiente. Por o demais, tendo em conta isto, o braço direito é mais largo que o esquerdo, e sobre tudo o antebraço direito e mais largo que seu correspondente esquerdo. Por outra parte, o relevo do grande peitoral da direita é claramente mais amplo que na parte esquerda. Existe, pois, um desligamento do cotovelo direito mais fora com um alargamento aparente do braço e antebraço direitos. Por expressivo e exacto, revivemos este vocábulo no seu significado arcaico ele que maneja unicamente sua mão direita, assim como se denomina ambidextro quem trabalha com as duas mãos. Que estranho ! E que pouco jeito é a pintura para um pintor de génio ! Mas há mais. Quando dentro de pouco, com nossos pontos de referência levamos a chaga ao coração ao tórax de um homem vigoroso, de 1,80 m de altura, notaremos que esta se encontra na parte superior latéral do tórax, detrás claramente, respeito o plano anterior do externo. Se estendermos um pano sobre este peito, notamos que fica um osso, rosando ao plano anterior do externo e a proeminência do braço direito, colocado na posição de sepultura, sem tocar na chaga do coração nem o coágulo que esta por baixo. Mais estranho todavia, posto que, a não ser por um contacto directo, chaga e coágulo não podiam imprimir-se. Agora bem, o cotovelo é maravilhoso. Mas supondo que uma mão teria feito é ademais naturalíssimo de apoiar-se o lençol estendido para aplica-lo, no fundimento, braquiotoraxico, sobre a chaga do coração: a mão tira forçosamente mais dentro parte da tela que apoiava sobre o braço, o qual deixara sua mancha numa zona mais extensa que a primitiva. Estendendo agora, novamente o Lençol, como o veremos agora: a mancha do cotovelo direito resulta mais extensa do que deveria ser, mais fora que da cotovelo esquerdo; o braço, e mais o antebraço direito, resultam mais largos que no cadáver e, ao mesmo tempo, o coágulo do coração fica impresso magnificamente. Também esta demonstração se deve a meu amigo Antoine Legrande (Dossiers du Saint'Suaire, Paris). Poderá haver um falsário tão astuto que possa imaginar estas manchas enganosas? Voltemos as experiências. 1. SOBRE CORPO VIVO. RADIOGRAFIAS Recortei uma placa metálica de forma e dimensões da chaga, e a coloquei sobre o peito de alunos escolhidos pela sua estrutura ser parecida com a de Cristo, no lugar exactamente indicado pelas medidas antes ditas. Na continuação encarreguei, em meu Hospital de S. José, teleradigrafias (com tuborradiogenio, situado a 4 metros dos pontos a radiografar) para conseguir imagens sensivelmente ortodiagramaticas, isto e, das mesmas dimensões do corpo radiografado. Uma destas radiografias produzida e a reproduzida esquematicamente, no conservado, para maior inteligência, mais que a parte anterior do esqueleto e as sombras viscerais. Como se pode observar, a placa projectando-se bastante mais para fora sobre a sexta costela, transbordando no quinto espaço intercostal direito. As medidas das mesmas cifras que no Santo Sudário. Atrás do esterno, que não e claramente visível senão em seu troço superior, se vê a sombra cardio-pericardia (coração), coroada pelos vasculares (Aorta e veia superior). Sua parte direita ultrapassa notavelmente o bordo direito do esterno, descansando o coração sobre a sombra hepatodiafragmatica (fígado). Abaixo o diafragma esquerdo vê-se a bolsa gasosa do estômago. A convexidade direita do coração se encontra a 8 centímetros do centro da chaga, seguindo uma linha um pouco oblíqua mais dentro e mais acima. A chaga esta claramente em cima da massa do fígado. A lança deslizou, pois, sobre a sexta costela, e perfurou o quinto espaço intercostal e penetrou fundo, encontrando a pleura e o pulmão. Se o soldado, de quem fala S. João, tivesse dado uma lançada numa direcção quase vertical, em primeiro lugar teria perfurado com muita dificuldade o espaço intercostal; logo, a ponta se tivesse perdido no pulmão, onde não podia brotar sangue, senão de algumas veias pulmonares. Podia ter-se desprendido sangue em pequena quantidade, mas não agua. O líquido pleural, supondo que tivesse, devia estar acumulado na parte inferior, mais atrás, por debaixo do nível da chaga. Refiro-me, naturalmente, ao hidrotorax, líquido de transudação pleurica de origem agónico, como observaremos, presente um no pericárdio. A hipótese de uma pleurisia tuberculosa, emitida no libelo: LA FOLIE DE JESUS, escrito desgraçadamente por um médico, a quem não farei a honra de numerar nem sequer como reclame, querendo ser de uma agudeza blasfema, e tão só, uma vulgaridade ridícula que não se pode suster. Voltaremos a ele. A lançada foi pois, oblíqua e muito próxima da horizontal, o qual e fácil de realizar, porque segundo opino, a cruz não era muito alta; se superava os dois metros, coisa que não penso verosímil, era necessário um homem a cavalo para assentar o golpe. Mas os verdugos e os guardiões, e quem sabe os soldados enviados por Pilatos para o CRURIFRAGIUM, eram todos soldados de infantaria, e o centurião era um oficial também de pé. Com a cruz baixa, de dois metros, como a que usei, um soldado teria somente que alçar os braços na "posição de parada", como se diz na esgrima a baioneta, para assentar correctamente a lançada. E seria provável que este golpe a direita do coração, sempre mortal, fora clássico e se aprenderia nas legiões romanas, por ver-se, ademais o lado esquerdo normalmente protegido pela adarga. Encontra-se em CESAR (De Bello Gallico), livro I,25, 6; Liv. VII, 50,1 - De Bello Civil, liv. III, 86,3 a expressão LATUS APERTUM, costelas descobertas, para designar as costelas direitas. FARBEU nos ensinava que os golpes assentados nos espaços intercostais, ao largo do bordo direito do esterno, são irremediáveis, porque abrem a parede MUITO DELGADA da aurícula direita. E isto segue sendo verdade hoje dia, apesar da intervenção quirurgica imediata. Assim as coisas, a ponta se dirige com naturalidade através da parte anterior, delgada, do pulmão direito e por um trajecto de 8 centímetros de altura, segundo as radiografias, alcança o borde direito do coração envolto no pericárdio. Agora bem - AQUI DESVENDO A QUESTÃO -, a parte do coração, que ultrapassa a direita do esterno, e a aurícula direita. E esta aurícula, prolongada mais acima pela veia cava inferior, se acha sempre, no cadáver, cheia de sangue líquido. JESUS - o que temos lido no princípio do texto evangélico - bem morto estava no momento da lançada. Parece, por outra parte, que S. João se dá conta admiravelmente da importância deste feito, quando junta, com insistência significativa que recorda as primeiras linhas de seu Evangelho: E QUEM VIU (João XIX, 35) A DADO TESTEMUNHO E SEU TESTEMUNHO E VERDADEIRO. E AQUELE (JESUS) SABE QUE DISSE A VERDADE, "PARA QUE TAMBEM CREIAS". Como comenta Lagrange, o vocábulo ille, em grego ekeinos, assinala ao Senhor, que João cita como testemunho em apoio da sua veracidade. Se a lançada tivesse sido no lado esquerdo tivesse atravessado os ventrículos, exangues no cadáver; e não tivesse emanado sangue, senão unicamente agua, como veremos. Mas tanto o Sudário como a tradição localizam a ferida no lado direito. Só falta experimentar sobre um cadáver, o qual nos reserva novas surpresas. 2. SOBRE UM CADAVER. EXPERIENCIASA) O SANGUE - Numa série de cadáveres repeti diversas experiências. Antes de tudo, tomei uma larga agulha e a montei sobre uma boa seringa. Sinalei ao nível da chaga, fundi a agulha no quinto espaço direito intercostal, dirigindo-me mais dentro, mais acima e pouco mais atrás. Entre os 9-10 centímetros, entrei na aurícula direita e ao aspirar, enchi a seringa de sangue l íquido. Mientras atravessava o pulmão, a aspiração não aportava nenhum líquido, nem sangue nem agua. Na continuação meti, nas mesmas condições, uma ampla faca de amputar. Na mesma profundidade abri a aurícula direita e o sangue correu ao largo da hoja, através do orifício horado no pulmão. Todas as minhas experiências foram praticadas sobre cadáveres, passadas as 24 horas da sua morte, segundo regulamenta a Lei, e foram seguidas naturalmente, a dissecção. B) A AGUA - Se o sangue procede com toda a naturalidade do coração e não pode proceder mais que dai em tal quantidade, a agua de onde procede? Tinha notado, nas minhas primeiras necropsias, que o pericarpo continha sempre certa quantidade de serosidade (hidropericardio) suficiente para que se veja correr a incisão de sua hoja parietal. Em alguns casos, o líquido era, incluso, muito abundante. Tomei novamente a seringa, mas adentrando a agulha muito lentamente e aspirando de modo continuo. Assim pude sentir a resistência do pericárpio fibroso; tão pronto o hube perfurado, aspirei uma notável quantidade de serosidade. Logo, prosseguindo a agulha seu caminho aspirei sangue da aurícula direita. De novo, com minha faca, e enterrando com as mesmas precauções pude comprovar o derrame da serosidade primeiro, e logo ao prosseguir o sangue. Finalmente, se se enterra a faca com violência, se vê que sai um grande fluxo de sangue; mas se pode também distinguir nas bordas uma quantidade menos importante de serosidade pericardica. A agua era pois, líquido pericárdio. E pode supor-se que trás uma agonia excepcionalmente penosa, como foi a do Salvador, o hidropericardio deve ser particularmente abundante, o suficiente para que S. João, testemunho ocular, podia ver claramente brotar sangue e agua. A serosidade não podia ser para ele mais que agua, segundo sua aparência. Como no corpo não há mais agua que a das serosidades, pode tratar-se de agua pura. Ademais, nos mesmos falamos de hidropericardio; isto é, agua contenia no pericárdio. Estas experimentações no coração voltaram a ser realizadas pelo Dr. Judica, entonces professor agregado de anatomia patológica da Universidade de Milão, quem leu a primeira edição deste opúsculo. Recordo que meu articulo inicial sobre o argumento apareceu no Boletim da Sociedade Médica de S. Lucas, de Paris. JUDICA, num articulo que publicou na revista de MEDICINA ITALIANA (Milão) confirma plenamente os resultados das minhas experiências que coincidem com as suas. Para ele também o sangue provem da aurícula direita, e a agua do pericarpo; esta confirmação, feita com absoluta independência, posto que entonces não nos conhecíamos, e tanto mais preciosa para mim por vir de um especialista anatomopatológico. Sem ambargo, diferimos algo pelo que respeita a origem deste hidropericardio. Eu tinha exposto a hipótese de um hidropericardio agónico; mas confesso, sem vaidade alguma de autor, de não manter de uma maneira absoluta esta explicação, se a experiência chega a demonstrar a opinião de Judica é mais exacta. Para ele se trata de uma pericardites serosa traumática, provocada pelos golpes, pelas bastonadas e, sobre tudo, pela flagelação atroz suportada no peito, no pretório. Tais violências podiam causar uma pericardites que, depois de um brevíssimo período de hiperemia - que a menudo não passa de uma hora -, determina um derrame seroso rápido e abundante. Um médico pode imaginar as graves alterações que uma lesão tal pode produzir: dores precordiales desgarradoras, opressão, angustia, calafrios, febre, enfim, disnea intensa, que se une a asfixia por tetanizacion dos músculos inspiradores. Assim se explicaria a extrema debilidade de Jesus na subida ao Calvário: Ele não pode sequer levar a cruz, se bem delimitada ao braço transversal (600 metros que separavam o pretório do Golgota), e Simão deveu ajudá-lo. Assim se explica também, em parte as caídas na via do Calvário. Qualquer que seja a origem, se trata de um hidropericardio e JUDICA esta de completo acordo comigo. Sua hipótese me parece em cada dia mais verosímil. C) O DERRAME TRANSVERSAL POSTERIOR - Fica, pois, explicado, com grandes vistos de verosimilitude, e origem do sangue e da agua, MAS A COISA NAO PARA AI. (Ver Figura) Sobre a imagem dorsal do Santo Sudário se vê um importante rasto de sangue que atravessa, de parte a parte, a base do tórax, bastante ampla no seu bordo direito, e que se divide em varias ramificações sanguíneas até chegar á borda esquerda do tronco. Este rasto é consequência de um fluxo de sangue, pois constatéi sua cor especial, de matriz roxa, sobre o Lençol Santo, visto em pleno dia. Donde procede este sangue e porque se derrama transversalmente? A anatomia, uma vez mais, vai discerni-lo. (Ver Figura) No momento da lançada, o corpo, sujeito a cruz, estava em posição vertical. A aurícula direita pode esvaziar-se e parcialmente também a veia cava superior que a sobrepõe com seus aferentes, veias da cabeça e dos braços. O grande derrame se produziu na vertical, sobre a parede anterior do tórax, por debaixo da ferida. Mas a veia cava inferior, subjacente, ficou cheia. Esta é larga e ampla, e sabemos que se corta durante uma autopsia, provoca-se em seguida uma verdadeira inundação de sangue no peritoneo. Desprendido o corpo de Jesus da cruz, juntamente com o patibulum e levado horizontalmente até a tumba, o sangue da veia cava inferior, pode refluir na aurícula direita e pelo orifício da lançada semiaberto se derramou ao exterior. Mas estando o corpo horizontal, este novo derrame se deslizou pelo lado direito, se estendeu mais ou menos baixo e pliegue do cotovelo apoiado contra o tronco e continuo DERRAMANDO-SE TRANSVERSALMENTE SOBRE A REGIÃO POSTERIOR CRUZANDO A PARTE INFERIOR DO TORAX. Depois destas conclusões, apresenta-se recentemente um feito novo, cujas consequências exponho na continuação, deste mesmo capitulo. COAGULAÇÃO DO SANGUE Como recorda S. João (XIX,37), e o profeta Zacarias (XII,10) já o havia profetizado: DIRIGIRAM SEUS OLHOS PARA AQUELE A QUEM TRESPASSARAM. Creio oportuno fazer menção de algumas noções elementares de fisiologia (que, por outra parte, se podem aplicar a todas as feridas), pois se constatou com frequência ser desconhecido por pessoas instruídas. O sangue permanece líquido; não se coagula nunca em vaso intacto. (A trombose se determina em uma veia atacada de flebites é um fenómeno muito diferente). O sangue se conserva líquido um nas veias do cadáver, e isto quase indefinidamente, até a putrefacção ou a dissecção. Se observa, inclusivé, como sangue normal VIVO durante algum tempo; na Rússia se efectuaram transfusões com sangue proveniente de cadáveres. Se em Portugal, França e outros Paises não se usa este método, ele se deve quem sabe, a razões sentimentais e realmente pela falta de doadores. Se deve tratar de pessoas sãs, em que se encontre verificado o grupo sanguíneo, e cuja morte, prevista e provocada legalmente, se determine por um trauma que reduza o derramamento de sangue; o contrário que acontece com a guilhotina (apesar de quase não haver guilhotinados nos nossos dias). Tendo sido substituído pelo tiro na nuca. O sangue se coagula depois de sair da sua veia; se difunde, no caso que abordamos, sempre liquida, espalhando-se sobre a pele; sobre esta, uma parte do líquido, terá caído no chão, se coagula progressivamente, formando um grumo de fibrina roxa, porque em suas malhas encerra glóbulos roxos. Logo, desse coágulo, se contrai, deixando transudar sua parte líquida (O SORO), que se espalha ao seu redor. Coagulo e soro podem manchar, um ao centro e outro na periferia, uma tela aplicada sobre a pele. Mas não e necessário falar de coágulos e de soro. É sempre liquida aquela; o grumo se forma sobre a pele, aderindo a ela e dissecando-se sobre a mesma. Tudo isto se deve precisar bem, sobre tudo referindo-se a chaga do coração, que pode verter em duas vezes quase todo o sangue das veias grossas, isto é, um volume considerável de sangue, já que as artérias estão vazias no cadáver. E bem certo que uma grande parte deste sangue teve que cair no chão. Para formar as manchas, a anterior e posterior do Sudário, ficou só aquela que paulatinamente se coagulou sobre a pele, ficando deste modo aderida a sua superfície. 4. OUTRAS HIPOTESES Posto isto em seu ponto de precisão, é de descartar duas hipóteses que considero insustentáveis. A) Segundo o Dr. Stroud e o Dr. Talmage, de acordo com as extravagâncias de Renan, o coração de Cristo se teria rompido espontaneamente; o sangue havia inundado a cavidade pericardica e ali se coagulou. E a lançada, abrindo o pericárdio, sem chegar ao coração, teria feito sair dele grumos e soro, e este soro seria de agua a que se refere S. João. Esta tese não pode suster-se, nem que seja sugestiva desde o ponto de vista pseudomistico: o coração de Jesus se teria despegado por excesso de amor. Agora bem: 1. - Isto pressupõe uma grave enfermidade do miocárdio infarto, degeneração sérea: nada no Evangelho permite supor em Jesus uma qualquer enfermidade. 2. - Um pericárdio seroso são conserva muito tempo o sangue que foi vertido na sua cavidade, sem que se coagule. Isto e um facto experimentado. Se numa cobaia, me disse meu amigo RENE BENARD, médico dos Hospitais de Paris, se estrai com uma agulha sangue de um ventrículo e se esta agulha, por um movimento intempestivo do animal, fere o coração, a cobaia morre de hemopericardio (derrame de sangue no pericárdio). Mas se faz a necropsia, mesmodepois de muitas horas, se encontra sempre sangue líquido. Isto coincide com uma observação que eu encontrei por casualidade nos arquivos de Medicina Legal, ao lado de uma comunicação belíssima do doutor Belot sobre o Santo Sudário de Turim; o doutor Bardoa de Tunez, fazendo a necropsia (pelo menos, mais de vinte e quatro horas depois da morte), de um homem falecido por contusão torácica, encontra uma rotura da ponta do coração e do pericárpio estendido, por ocupa-lo sangue perfeitamente líquido 3. - O golpe da lança foi dado pouquíssimo tempo depois da morte: menos de duas horas, disse STROUD; e nisso estamos de acordo. É, pois, certo que a causa deste chamado hemopericardio por rotura do coração, podia brotar somente sangue líquido, e não soro e coágulos. B) - Outra hipótese foi exposta (e já a mencionamos) neste livro, tão venenosa como absurda, A FOLIE DE JESUS, em que o seu autor quer demonstrar que Nosso Senhor era, de vez, louco e tísico; por conseguinte, a agua que emanou das costelas não era senão outra coisa que o exudado de uma pleurisia tuberculosa. Esta ideia de uma pleurisia ambulante foi também sustentada na revista (Revue medical de Nancy), pelo doutor RENE MORLOR, um veterano da anatomia patológica, mas desta vez com o máximo respeito e com o máximo amor, como corresponde a um cristão convencido. Ele aceita, por outra parte todas as minhas conclusões, como um fluir de sangue seguido a uma ferida na aurícula direita. Não pode fazer outra coisa que contradiga com plena lealdade e simpatia: ambos buscamos a verdade. Parece crer, seguindo S. João, que das costelas teria saido primeiro sangue e depois agua. Mas nada disto se encontra no Evangelho, que diz: E SAIU SANGUE E AGUA; KAI EXELTHEN EUTHUS AIMA KAI UD“R, e isto indica a simultaneidade. Tudo o mais se podia traduzir: sangue e também agua. Por outra parte, e sem recorrer ao Santo Sudário a tradição, parece certo que a lança golpeando desde a parte diante (a cruz protegia a ombro); bastante em alto para alcançar o coração; a direita para abrir a aurícula direita, única cavidade do coração de que podia brotar sangue (a aurícula esquerda esta profunda, fora do alcance da lança). Agora bem: Um derrame pleuritico se recolhe sobre tudo na parte posterior da pleura que descendo muito abaixo, ao nível da undécima costela; o seno pleuritico se remonta desde ai, em declive, adiante e ao alto, para alcançar a base do pericárdio. É, pois, necessário uma quantidade de líquido pleureico para seu nível supere a chaga que temos suposto por a ferida do coração. Esta quantidade é pouco compatível com a vida activa levada por Jesus durante as ultimas semanas. Por outra parte, nada sugere nos Evangelhos, nem sequer levianamente, a um médico para que suponha que Jesus tenha estado afectado por uma enfermidade tal durante sua vida pública (a qual atéstam os particulares). E depois de trinta anos de trabalho manual, levou uma vida de peregrinação e predição constante, muito dura e por vezes extenuante: sofreu fome, sede, calor, fadigas; e não ha sombra de enfermidade. Pode-se imaginar robusto, de óptima constituição; e ha aqui completa abstracção o da imagem da Sindone, que nos mostra um homem de metro e oitenta de alto e de esplêndida anatomia. O doutor Morlot disse muito certamente que segundo a Igreja Católica o corpo de Jesus era s usceptível de enfermidade. Mas as decisões dos Concílios que cita a propósito disto (Efeso, 431; Florença 1438) se opõem unicamente às feridas monofásicas, segundo as quais o corpo de Jesus não era mais que uma aparência incapaz de sofrer. Tomas de Aquino, o que alude (III, a XIV), disse que Jesus tomou (voluntariamente e não contraido no nascimento, estando isento do pecado original) a natureza humana com seus defectus corporis (deficiências corporais), e as enumera: fome, sede, morte e coisas análogas. Não se fala de enfermidade. Parece tivesse podido aceita-la, se tivesse consentido nisso: mas a maior parte dos teólogos católicos sustentam que não hizo por razões de conveniência. Em todo o caso não a pisaduras dele no Evangelho. Temos notado, por outra parte, que para a natureza humana a enfermidade e uma possibilidade e não uma necessidade inevitável. Ao contrário um traumatismo, um golpe determinaram sempre lesões. Parece-me que todos estes argumentos devem eliminar a hipótese de uma pleurisia tuberculosa e voltemos as minhas experiências e ao hidropericardio. Se! S. João tinha os olhos bem abertos; o que ele viu foi sangue da aurículas e agua do pericárdio. Eu também os tenho visto, e meu testemunho é verdadeiro João, (XIX, 35; XXI,24) RETRACÇÃO DO PULMÃO NUM CADAVER RECENTE É aqui o feito novo que anunciei no final do segundo parágrafo do presente capitulo. Este feito não modifica em nada minhas conclusões anatómicas acerca da chaga do coração; afecta somente minha interpretação do rego do sangue transversal posterior. Reservei-me de tirar de uma vez as consequências deste feito, sincera e claramente. Sempre declarei que estou disposto a modificar minhas conclusões, científicas, se feitos novos, indiscutíveis, vierem a contradizer-me razoavelmente. O exige a mais elementar probidade científica. As provas experimentais deste feito mas deu o doutor Vincent Donnet, agregado de fisiologia em Marselha. Sua informação foi publicada com meus comentários no Boletim da Sociedade de S. Lucas, de Paris. E um homem santo, como o era Jesus, a abertura traumática da pleura acarreta, se faz pouco tempo depois da morte, uma retracção do pulmão correspondente, sensivelmente igual ao que acontece num homem vivo. Este feito (coincidência curiosa) foi-me confirmado, dias mais tarde, pelo doutor METRAS, especialista em cirurgia torácica, em Marselha. Cada um destes investigadores ignorava as constatações do outro; isto dobra o valor das mesmas. Tenho insistido na minha experiência que foram feitas em cadáveres de autopsia por conseguinte mais de vinte e quatro horas depois do falecimento; eu não dispunha de outros cadáveres. Não podia dissimular que não eram precisamente as condições da lançada no calvário. Sobre os cadáveres que foram objecto de minhas experiências o pulmão se retraia e a pleura não ficava aberta. Ao contrario, num cadáver recente, como era o de Cristo, o pulmão se retrai e a cavidade pleural se amplia. Que resulta disto? Que viu S. João? Record